DP Empresas Empreender depois dos 55 anos é saída para a ociosidade Brasileiros decidem abrir seu próprio negócio por volta da idade da aposentadoria e 10,3% que estão na fase inicial têm entre 55 e 64 anos

Por: Luciana Morosini

Publicado em: 28/07/2018 09:00 Atualizado em: 26/07/2018 19:13

Eduardo usou parte do dinheiro da aposentadoria para abrir a Confitaria. Foto: Nando Chiappetta/DP
Eduardo usou parte do dinheiro da aposentadoria para abrir a Confitaria. Foto: Nando Chiappetta/DP

A expectativa de vida dos brasileiros aumentou em mais de 30 anos de 1940 a 2016, chegando a 75,8 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Pernambuco, a expectativa é de 73,9 anos. Desta forma, é cada vez mais comum as pessoas chegarem na idade para se aposentar ainda com toda vitalidade e disposição. A solução muitas vezes adotada para não ficar na ociosidade depois de uma vida inteira de trabalho é empreender. Tanto que 10,3% dos brasileiros que estão em fase inicial do negócio têm entre 55 e 64 anos, de acordo com pesquisa do Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Porém, é preciso seguir uma série de cuidados para conseguir tocar o empreendimento e a vida com tranquilidade.

Para Valdir Cavalcanti, analista de Educação Empresarial do Sebrae, abrir um negócio depois da aposentadoria é uma boa solução tanto econômica, quanto social. "Hoje em dia as pessoas se aposentam ainda com muita vitalidade. No começo é bom, mas depois a ociosidade pode ser ruim. A possibilidade de iniciar uma atividade empresarial é a chance de ter um novo projeto de vida", afirma. Ele explica que muita gente procura o Sebrae porque quer se ocupar. "Não é nem para ganhar dinheiro, é para não ficar parado. Aí ele percebe que vai se ocupar, ganhar dinheiro e gerar emprego", complementa.

Eduardo Bessa, de 57 anos, começou a trabalhar aos 15 anos no comércio e há 42 anos atua na mesma empresa de peças de motocicletas, como gerente geral. Quando chegou na idade de se aposentar, fez todos os trâmites e usou parte do dinheiro para realizar um sonho: ter o seu próprio empreendimento. "Por várias vezes eu tive o desejo de empreender, mas não tinha chegado o momento. Agora chegou e sei que é um desafio e precisa de coragem. Mas quando se tem condição de continuar na atividade e ter esse suporte financeiro, não ficar apenas dependendo do negócio dar certo, é mais fácil", diz.

Em março, ele abriu a Confitaria Cake and Coffee, em Casa Forte, ao lado da esposa Sandra Rodrigues e da filha Eduarda Bessa. Elas ficam à frente da parte da indústria e comercial, enquanto ele aproveita sua expertise para dar suporte na gestão. "Quando a gente vai empreender, sabe que existem riscos, mas a minha experiência no comércio me trouxe uma base e tranquilidade para tocar o negócio. Eu sabia que precisava elaborar um plano de negócios e os resultados estão dentro do que planejamos", conta.

Para Valdir Cavalcanti, o planejamento é realmente o primeiro passo importante para fazer o negócio funcionar. "Com o plano de negócio, ele vai tirar do papel da cabeça e prever tudo o que vai acontecer na empresa, como a lucratividade, rentabilidade, público-alvo e previsão de receitas e despesas. Principalmente neste momento da aposentadoria que ele vai passar a lidar com coisas que não lidava antes, já que costumava executar o que era orientado. Assim ele diminui os riscos", ressalta.

Outro ponto importante é pensar no plano de negócios para entender o que o empreendimento vai oferecer de diferencial no mercado. Além disso, preparar as pessoas que vão trabalhar no negócio também é fundamental neste contexto para garantir uma maior liberdade sem que o negócio desande. "Ele tem que preparar um modelo de gestão que possibilite funcionar sem que precise estar presente fisicamente. No dia que ele se ausentar, tem que funcionar do mesmo jeito para ele não se sentir em uma prisão, já que ele já passou entre 30 e 40 anos da vida trabalhando", complementa Valdir.


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