Evolução Pense! Pernambuco debate formas de alcançar educação mais democrática Evento aconteceu nesta quarta-feira (25) e contou com o vice-governador de Pernambuco Raul Henry

Por: André Clemente - Diario de Pernambuco

Publicado em: 26/07/2018 14:46 Atualizado em: 26/07/2018 15:04

Debate levantou pontos positivos e negativos da dinâmica educacional atual. Foto: Leonardo Malafaia/DP
Debate levantou pontos positivos e negativos da dinâmica educacional atual. Foto: Leonardo Malafaia/DP

A educação é sempre um debate intenso. Como promover políticas que resultem em uma educação democrática, que reduzam desigualdades sociais e, nesse processo, não deixem os mais vulneráveis sem atendimento é o objetivo. O assunto contempla orçamento público, performance do aluno, qualidade e valorização do professor e, principalmente, quem está à frente das políticas educacionais. O Brasil planeja há anos a melhor forma de fazer a educação avançar e consegue sucessos apenas de forma pontual. Pernambuco, inclusive, se tornou case de sucesso no tratamento que vem dando ao ensino médio, mas mantém lacunas que, não preenchidas, podem comprometer a sustentabilidade dos bons resultados.

O tema “Uma educação para o futuro do Brasil” foi o foco da quinta edição do Pense! Pernambuco, série de encontros promovido pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper) e pelo Porto Digital, que teve como palestrantes o economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor da Cátedra Instituto Ayrton Senna no Insper, Ricardo Paes de Barros, e Raul Henry, vice-governador do estado e mestre em gestão pública. A mediação ficou sob o comando do presidente do Diario de Pernambuco, Alexandre Rands.

Ricardo Paes de Barros ressaltou que a educação precisa de governança para poder avançar de forma sustentável. Segundo ele, é preciso ter políticas, regras claras, metas estabelecidas e processos a serem adotados na dinâmica de se fazer uma educação eficiente. “Quando não há clareza da responsabilidade que se tem e o que se busca, não se consegue chegar, porque não não se faz ajustes ou correções de rota. O Brasil, por exemplo, gasta 5,5% do PIB (Produto Interno Bruto) com educação. O Fórum Mundial de Educação recomenda que essa despesa seja entre 4% e 6% do PIB, ou seja, estamos corretos nos gastos. Então o que falta? Eficiência”, destacou.

O professor Paes de Barros reforça que, à frente das decisões em relação à educação, a governança precisa, principalmente, tratar do respeito à restrição orçamentária associado a um plano de mudança de postura explícito, que contemple os métodos para se conseguir tal objetivo. “Não pode ser uma coisa solta. Além de um plano, tem que entender que ele é o ponto de partida para o objetivo da educação e não o fim. É o plano que vai fazer o caminho ter sucessos e ajustes nos fracassos”, complementou.

O vice-governador Raul Henry ressaltou o desafio de se fazer educação de qualidade no Brasil, que enfrenta dramas clássicos nos índices de educação. Porém, Henry ponderou as políticas adotadas por Pernambuco para que o sistema que fez o estado crescer tão forte nos números do Ideb do ensino médio. “A burocracia, a falta de capital humano são entraves recorrentes do problema educacional nacional de se fazer escolas eficazes. O Brasil recebeu incentivos e planos desde Fernando Henrique Cardoso, depois na era Lula, que ampliaram vagas, mobilizaram formas de financiamento, mas que ainda resultam em números alarmantes. Como justificar que apenas 22% dos brasileiros que terminam o período educacional e entram na faculdade têm condições de ler um texto e interpretá-lo? Um condicionante, com certeza, gira em torno da valorização do professor. Na Coréia do Sul, por exemplo, os salários dos professores estão acima da renda per capta, além de crescimento de acordo com os anos de trabalho, uma clara atenção à valorização da docência. No Brasil, por sua vez, os professores recebem metade dos salários que outras carreiras de ensino superior. Já se mobilizou muita coisa nesse sentido, mas as travas burocráticas atrapalham”, complementa.



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