Observatório Econômico Ainda no acostamento

Por: André Magalhães

Publicado em: 09/07/2018 07:55 Atualizado em:

Na semana passada o IBGE divulgou os dados da produção industrial de maio. Havia uma expectativa com relação aos números devido, principalmente, aos possíveis efeitos da greve dos caminhoneiros. Não houve surpresas aqui e os impactos negativos se fizeram sentir. Depois de 12 meses consecutivos de alta, os números mostraram uma queda na produção. A redução foi de 10,9% em comparação a abril de 2018 e de 6,6% em relação a maio do ano passado. Apesar da queda, 2018 ainda apresenta uma expansão de 2%, considerando-se os cinco primeiros meses.

O problema maior é que os efeitos não deverão ficar restritos ao mês de maio. Dois problemas ampliam os impactos negativos da greve: a dificuldade de regularizar o abastecimento e a solução dada pelo Governo Federal para resolver o problema.

Com relação ao primeiro ponto, poucos dias depois do final da greve foi possível regularizar o abastecimento de combustíveis nos postos, mas o mesmo não pode ser dito para as demais áreas de economia. Até meados de junho, por exemplo, havia falta de gás de cozinha em diversos pontos do país. Da mesma forma, os insumos de várias indústrias não estavam chegando de forma adequada até o final de junho. Parte da produção agrícola que já devia ter saído para o consumo ainda está no campo. Tudo isso impacta negativamente a economia. A produção de junho foi menor do que teria sido sem a greve. Julho será também.

Os problemas ficam ainda maiores quando se considera a solução dada para encerrar a greve. A saída encontrada pelo governo, fixar preços, não é nova. Já foi tentada por diversas vezes e por diversas vezes se provou um fracasso. Criam-se distorções no mercado que acabam gerando pressões de preços em outras áreas e/ou falta ou excesso de oferta.

Um caso emblemático para o Brasil foi vivido durante a década de 1980 com a gestão de Sarney. O uso de tabelamento levou à falta de produtos nas prateleiras e a uma campanha que ficou conhecida como os “fiscais do Sarney”, na qual a população foi chamada a fiscalizar os preços. Claro que não poderia dar certo, como a história mostrou.


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