DP Empresas Mulheres lideram buscas por imóveis no Recife Elas têm 61% de participação na procura por um apartamento e a maior parte dos clientes está atrás da compra do que da locação

Por: Luciana Morosini

Publicado em: 07/07/2018 11:25 Atualizado em: 07/07/2018 11:26

Mulheres estão mais à frente do processo inicial da busca, enquanto os homens entram mais adiante do negócio. Foto: Paulo Paiva/DP
Mulheres estão mais à frente do processo inicial da busca, enquanto os homens entram mais adiante do negócio. Foto: Paulo Paiva/DP

O mercado imobiliário mostra sinais de reaquecimento em 2018, apesar de ser um processo lento por se tratar de um setor que tem um ciclo muito longo. Perspectivas mais positivas para a economia brasileira garantem resultados melhores para as construtoras, que já pensam em voltar a lançar empreendimentos, e para os consumidores, que se sentem mais confiantes em fazer um investimento alto e a longo prazo. As cidades médias revelam boa capacidade de evoluir no setor e o Recife se mostra com perfil de expansão. Na capital pernambucana, a maioria dos clientes está atrás da compra de um imóvel, segundo pesquisa do Grupo Zap. E as mulheres lideram as buscas, com 61% de participação.

A busca por um imóvel feita, em maior parte, pelas mulheres é constatada de uma maneira geral no Brasil. "O primeiro imóvel de uma família, de um casal, é a mulher que geralmente está mais envolvida do que o homem na busca, essa é uma tendência. Durante as várias fases do processo de aquisição, seja no que seria uma boa solução para o casal ou de entender as melhores opções do mercado, é ela quem está mais à frente. O homem desponta com papel mais relevante perto da escolha, que é quando os papéis se equilibram", explica Caio Bianchi, VP de Analytics do Grupo Zap.

Durante o processo da busca, a tecnologia se torna uma aliada, já que a procura através do celular cresceu 6% em comparação com 2017, alcançando 64%. "O smartphone é usado principalmente nas fases iniciais das buscas, tanto para procurar as opções como também para fazer contato com os corretores e proprietários. Todo esse processo é facilitado pelo telefone. Mas mais para frente, quando precisa comparar, o computador equilibra porque quando precisa comparar entre cinco ou seis imóveis a tela maior facilita", detalha.

No Recife, a maior parte dos consumidores estão em busca para comprar um imóvel, com representatividade de 59%, enquanto 41% preferem locação. E a capital é a cidade mais desejada por quem busca imóveis, seguida de Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista, segundo a pesquisa do Grupo Zap. Os imóveis mais desejados para compra custam até R$ 599 mil e para locação até R$ 1.499. Os bairros mais desejados para compra são Boa Viagem, Madalena, Torre e Rosarinho. A lista se repete quando o assunto é locação, trocando apenas o Rosarinho pelo Espinheiro.

O perfil de quem busca um imóvel para locação e para comprar é diferente. "O primeiro tem um perfil mais jovem, é mais mulheres. São pessoas que estão saindo da casa dos pais ou se casando e vão para o aluguel. Já para comprar é um perfil mais masculino e de meia idade para cima", detalha Caio Bianchi. Ele acrescenta que a procura para aluguel é mais para apartamentos de dois dois quartos, enquanto para compra é de três quartos.

Smartphone é aliado e procura através dele cresceu 6% em relação a 2017. Foto: mdemulher.abril.com.br/Reprodução
Smartphone é aliado e procura através dele cresceu 6% em relação a 2017. Foto: mdemulher.abril.com.br/Reprodução

Mercado recifense mostra reaquecimento

Dentro do cenário de apatia que o setor imobiliário passou, já existem sinais de uma recuperação, mesmo que de forma lenta. O Grupo Zap avalia os preços médios em 20 cidades brasileiras e o Recife aparece como a quarta cidade brasileira que o valor dos imóveis mais cresceu nos últimos 12 meses, segundo Caio Bianchi, VP de Analytics do Grupo Zap. O incremento foi de cerca de 2% no valor nominal, ficando atrás apenas de Florianópolis (SC), Vitória (ES) e São Caetano do Sul (SP), que tiveram aumento entre 2% e 4%.

Para ele, isso significa que a capital pernambucana tem boas perspectivas para o setor imobiliário. "Em um cenário de apatia e recuperação lenta, o Recife tem uma perspectiva mais positiva em relação aos preços dos imóveis, já que teve o quarto maior aumento entre as 20 cidades analisadas", conta. O mercado mostra que existe um início de reaquecimento. "A gente percebe isso pelo movimento das incorporadoras que voltaram a lançar mais. Para elas, o mercado, por ter um ciclo longo, demora mais a cair e também a se reerguer", completa. Além disso, os financiamentos também corroboram com as perspectivas mais positivas. "Dados de financiamentos indicam também esse reaquecimento, toda o setor depende muito do financiamento imobiliário, que teve uma pequena melhora, os juros estão mais baixos, mas os bancos ainda estão com rigor", explica.

Os cenários econômico e político também influenciam no poder de retomada do setor imobiliário. "O componente da confiança na economia é fundamental. Se o consumidor não confia que vai ter emprego no futuro, ele não vai fazer negócio. O componente política também é importante, o internacional e principalmente o nacional. Se o governo não mantiver um rigor fiscal, vamos ter dificuldades", completa o VP de Analytics do Grupo Zap.

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