Inovação & Negócios Inovar é preciso Por Francisco Saboya chicosaboya@gmail.com

Publicado em: 24/06/2018 14:42 Atualizado em: 24/06/2018 15:01

Saboia passa a assinar a coluna Inovação e Negócios, que estreia neste domingo, no Diario. Foto: Arquivo/DP
Saboia passa a assinar a coluna Inovação e Negócios, que estreia neste domingo, no Diario. Foto: Arquivo/DP

Estreamos hoje a coluna Inovação e Negócios. A cada fim de semana publicaremos comentários, análises de casos emblemáticos e informações diversas que relacionam um tema muito em voga – a inovação – com seus impactos econômicos sobre a sociedade. Procuraremos abordar o assunto de forma clara e trazer o assunto para o cotidiano das pessoas. Para muitos, inovação ainda é matéria de cientista ou coisa de inventor maluco. Aliás, invenção é outro departamento. Ela se dá quando alguém prototipa a primeira ocorrência de uma ideia original, via de regra não factível no contexto temporal em que foi gerada, enquanto que inovação ocorre quando alguém insere no mercado um novo produto ou processo que altera os modos de produzir, de fazer negócios, os comportamentos dos agentes econômicos e a própria vida social. A despeito da importância, o país não leva o assunto muito a sério. Os investimentos nacionais em ciência, tecnologia e inovação giram em torno de 1% do PIB, enquanto que países como Coreia e Israel gastam o triplo ou mais. A fatura por esse descuido é alta e costuma ser paga lentamente, à prestação, numa moeda chamada atraso e subdesenvolvimento. 

Tentaremos ajudar aqui nesse espaço a preencher um pouco desse deficit de compreensão e demonstrar, sempre que possível através de exemplos, que inovação é mais próxima do cotidiano das pessoas do que parece. Defenderemos que ela é fundamentalmente matéria de empreendedores, de gente que faz negócios aliando sonhos e determinação a um forte senso prático. É a empresa que inova, combinando fatores produtivos, entre eles o conhecimento teórico, via de regra gerado na universidade, mas não apenas, para produzir soluções de problemas relevantes da sociedade. Isso pode ser um simples guarda-chuva ou um reator nuclear.

A dinâmica da inovação comporta diversos fatores críticos. Um deles é o risco. Se é inovação, não há histórico. O ritmo é então ditado por desconfianças quanto ao êxito, em especial nos casos em que a inovação é disruptiva, e não incremental. Mas, além dos riscos, a inovação comporta custos. Inovar é caro. A necessidade de mitigação desses dois fatores traz à cena governo e investidores. Como um time de futebol, o governo joga na defesa, demandando inovação em larga escala para endereçar problemas estratégicos do país; no ataque, custeando parte do esforço financeiro da inovação através de agências especializadas como a Finep; e no meio de campo, através de legislação facilitadora do desenvolvimento, implementação e adoção da inovação.

Paris possui hoje 13 distritos de inovação com regramentos especiais para permitir a experimentação de soluções urbanas em situações reais. Aqui no Brasil, exemplo recente é o novo marco legal de C,T&I, regulamentado através do Decreto Federal 9.283/18, que simplifica o fluxo de recursos e insumos para pesquisa e promove maior cooperação entre institutos de ciência e tecnologia públicos e privados, universidades e empresas. O segundo ator referido são os investidores de risco.

Se, por um lado, existem as grandes empresas que possuem mecanismos próprios de inovação, constituídos de engenheiros e tecnólogos que criam e registram patentes a partir de laboratórios altamente sofisticados, por outro, existem as chamadas startups – que, na definição do cientista e empreendedor Silvio Meira, são novos empreendimentos inovadores de crescimento acelerado. As startups se articulam em torno de incubadoras e aceleradoras de negócios, cuja atuação visa atrair investidores de risco para garantir fluxos de recursos para desenvolvimento de novos produtos, aprimoramento dos modelos de negócios e acesso ao mercado. Destacam-se os chamados investidores-anjo, que aportam capital em troca de participação em negócios de muito baixo estágio de maturidade. 

Mas a questão principal não é falar sobre o que é inovação, mas porque falar dela. A razão é que inovações tecnológicas são os principais motores dos ciclos econômicos, gerando um fenômeno descrito por Schumpeter, economista austríaco da primeira metade do século passado, como destruição criadora. Ou seja, a um tempo em que a disseminação da inovação progride por meio dos novos empreendimentos, ela desaloja os estabelecimentos produtivos tradicionais, gerando movimentos alternados de desemprego tecnológico e emprego compensatório. Assim, falar de inovação é falar de eficiência produtiva, de competitividade e de desenvolvimento econômico. Em resumo, inovação é assunto de todos. 

(Se o leitor tiver alguma ideia para a coluna, pode enviar seus comments para chicosaboya@gmail.com). 


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