Indústria Pitú completa 80 anos e segue realizando investimentos Empresa acaba de investir R$ 15 milhões em equipamentos de tancagem e se mantém como a mais consumida no Norte e Nordeste

Por: Rochelli Dantas - Diario de Pernambuco

Publicado em: 23/06/2018 11:00 Atualizado em: 21/06/2018 20:18

Desde a fundação, indústria funciona em Vitória de Santo Antão, onde são gerados mais de 500 empregos. Foto: Peu Ricardo/DP (Foto: Peu Ricardo/DP)
Desde a fundação, indústria funciona em Vitória de Santo Antão, onde são gerados mais de 500 empregos. Foto: Peu Ricardo/DP
Já são oito décadas produzindo cachaça em Vitória de Santo Antão, mas os planos de expansão da Pitú seguem em curso. A companhia, que se tornou conhecida com o slogan “mania de brasileiro”, está entre as 20 marcas de bebidas destiladas mais produzidas do mundo, comercializando, em média, 98 milhões de litros de cachaça por ano. São mais de 500 empregos, entre contratados e terceirizados, com uma produção em dois turnos, cinco dias por semana. Para alavancar mais ainda o processo produtivo, a empresa está investindo R$ 15 milhões na instalação de três tanques de aço inox com capacidade para armazenar 21 milhões de litros de cachaça.

Aliados aos 13 tanques já existentes no parque fabril, os equipamentos irão ampliar o armazenamento da cachaçaria de 30 milhões para 51 milhões de litros. “Nós dependemos da cana-de-açúcar, que é nossa matéria-prima e é sazonal. Então, temos que ter estoques em casa para seis meses. O que acontece é que hoje precisamos alugar tanques fora para guardar esse produto. Com esse investimento, não precisaremos mais alugar e teremos este espaço disponível para guardar tudo aqui”, afirma o presidente da empresa, Alexandre Ferrer.

“Todos os dias surge uma nova tecnologia e estamos atentos para trazer essas mudanças para dentro da empresa. A nossa virada de chave começou com essas inovações”, pontua Ferrer, que assumiu a presidência da empresa no ano passado. O grupo, inclusive, está na terceira geração de gestores. A empresa começou a operação em 1938 por Joel Cândido Carneiro, Severino Ferrer de Moraes e José Ferrer de Moraes. Inicialmente, a empresa trabalhava com a fabricação de vinagre, bebidas à base de maracujá e jenipapo, além de engarrafar aguardente de cana fornecida por engenhos locais.

“Antes a fábrica era no centro da cidade e como o produto foi ganhando mercado, a unidade ficou pequena e nos mudamos para o terreno onde estamos atualmente. O mercado e a produção cresceram e hoje somos líder nas regiões Norte e Nordeste e segundo lugar no país”, detalha Alexandre Ferrer. Os planos para 2018 incluem a expansão de mercado no Sudeste do país, que tem um grande potencial de consumo, mas ainda é um mercado pouco explorado pela marca. “Eu diria que a participação do Sudeste nos negócios hoje é de 3%. Ainda é tímida porque temos dificuldade no transporte, o que encarece o produto. A distribuição pesa muito porque o valor agregado do produto é baixo. Mas temos um potencial e vamos ganhar mercado”, enfatiza.

Recentemente, a empresa também realizou um investimento de R$ 1 milhão na equalização do tratamento de efluentes em novos equipamentos de maior eficiência e com uma melhor reciclagem de resíduos líquidos e sólidos. Dessa forma, a indústria passou a atuar em conformidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. “As medidas aumentam a eficiência da indústria e garantem uma destinação sustentável a todos os resíduos gerados na fábrica, sem gerar nenhum prejuízo para a sociedade e para o meio ambiente”, diz a sócia-diretora de Exportações e Relações institucionais da empresa, Maria das Vitórias Cavalcanti.

De Pernambuco para o mundo

Da produção total da cachaça, 2% são destinados à exportação. A marca foi, inclusive, a primeira a iniciar o processo de venda da bebida para outros países. A primeira comercialização ao mercado externo aconteceu no início de 1970 pela Alemanha como parceiro. A parceria fez com que a marca chegasse a outros países da Europa. Por ano, a Pitú comercializa no exterior 1,7 milhão de litros, dos quais 1,5 milhão são apenas para a Alemanha, que distribui para toda a Europa.

“Quando iniciamos a exportação foi uma brecha que encontramos no mercado e deu certo. Começamos com um barril de madeira de 200 litros, que era enviado de seis em seis meses. Agora, mandamos o líquido e é engarrafado lá. O produto segue a granel, que dá uns 20 mil litros em cada envio”, detalha o presidente da empresa, Alexandre Ferrer. A operação é realizada pelo Porto de Suape.

Além do velho continente, a Pitú também está presente em outros países como: Estados Unidos, Canadá, México, Chile, China, Japão, Índia, Israel, Emirados Árabes, Tailância, Austrália, África do Sul, Angola, Guiana Francesa, Peru e Argentina.

“Este ano, estamos trabalhando a inserção na China e na Índia, mas são mercados mais difíceis. Eles não conhecem o produto. A fama da cachaça fora do país é a caipirinha e não a cachaça. Então, nosso desafio se torna ainda maior pois precisamos mostrar que podemos ser consumidos além da mistura”, ressalta Alexandre Ferrer. Além dos países, o produto também pode ser encontrado em mais de 40 lojas de duty-free espalhadas pelo mundo.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.