Agronegócios Projeto oferece melhorias aos produtores de Feira Nova Convênio prevê melhorias e capacitações para produtores rurais, raspadeiras e casas de farinha de mandioca do município do Agreste pernambucano

Por: Rochelli Dantas - Diario de Pernambuco

Publicado em: 16/06/2018 11:00 Atualizado em:

Feira Nova conta com dez casas de farinha, empregando 70 funcionários cada. Foto: Divulgação/ AD Diper  (Foto: Divulgação/ AD Diper )
Feira Nova conta com dez casas de farinha, empregando 70 funcionários cada. Foto: Divulgação/ AD Diper
A produção de farinha de mandioca deve ser aprimorada no município de Feira Nova, localizado no Agreste Setentrional. O longo período de estiagem fez com que as plantações na região fossem reduzidas e os produtores buscaram alternativas de manter o sustento. É esse o principal objetivo de uma parceria firmada nesta semana entre a Agência de Desenvolvimento Econômico do estado, o Sebrae/PE, o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e a Prefeitura de Feira Nova. A estimativa é de que as ações beneficiem cerca de 100 produtores rurais, 200 raspadeiras e 10 casas de farinha.

“Queremos atuar em todas as frentes para proporcionar melhorias para esse produtor. Entre os estudos está a identificação de variedade de mandioca mais resistente ao clima e a pragas. Estamos realizando testes com algumas espécies e temos tido bons resultados. A média hoje é de 10 toneladas por hectare e, com a variedade que estamos avaliando, chegamos a registrar 30 toneladas por hectare”, conta o diretor presidente da AD Diper, Leonardo Cerquinho. Os investimentos totais da iniciativa chegam ao montante de R$ 330 mil.

O que acontece é que, com os longos períodos de seca e a proliferação de pragas, como a podridão radicular da mandioca, que atingiu muitas plantações da região, o município de Feira Nova deixou de ser um grande produtor e reduziu a cadeia produtiva apenas para a produção de farinha e o empacotamento da mesma, que é realizado de forma terceirizada causando dependência entre as empacotadoras e os produtores e aumentando o preço dos produtos.

“A seca fez com que a matéria-prima sumisse do campo. Então, após estudos na região, observamos o campo e os gargalos da comercialização para poder atacarmos em todas as frentes”, relata o gerente de Arranjos Produtivos Locais da AD Diper, Álvaro França. Segundo o diagnóstico elaborado pelos órgãos envolvidos, o município conta com dez casas de farinha, cada uma empregando cerca de 70 pessoas.

De acordo com França, o projeto como um todo terá duração de um ano. Além dos testes realizados no campo, a ideia é avançar em melhorias também junto aos produtores. “Haverá uma reestruturação das casas de farinha e montagem de uma cooperativa entre os principais produtores da região. Também vamos atuar junto das raspadeiras, que serão capacitadas em áreas como segurança do trabalho e na manipulação de alimentos. Em paralelo, a prefeitura do município também auxiliará no projeto por meio da entrega de equipamentos de segurança”, conta.

A proposta é que ocorram treinamentos e acesso a consultoria nas áreas de: socioativismo, empreendedorismo, financeiro, contábil, fiscal, tributária, administrativo, negociação, comercialização, estoque, marketing e qualidade. Além disso, também será realizada uma oficina para a produção de farinha sanitização.

De acordo com Álvaro França, a plantação de mandioca tem abrangência em todo o estado de Pernambuco. “Acreditamos que podemos ampliar as áreas plantadas, gerando uma maior renda para toda a cadeia. Agora o grande potencial está nos municípios do Araripe e do Agreste Meridional”, pontua.

Outros projetos deverão ser lançados ainda este ano

A Agência de Desenvolvimento Econômico do estado (AD Diper) planeja o lançamento de pelo menos outros 20 projetos do tipo. Os temas estão sendo analisados e devem ser lançados ainda este ano. “Tem muita coisa em análise. Muitos não avançam por falta de documentação, outros por falta de mobilização. Estes estão mais avançados e devem ser lançados em breve”, afirma o diretor presidente da agência, Leonardo Cerquinho.

Entre os estudos que já estão avançando estão a produtividade do leite, psicultura, corte e costura, cultura da banana e ovos. Esta semana, além do projeto de melhorias na produção de mandioca, a AD Diper iniciou o projeto Produção Intensiva de Leite, que visa fortalecer a cadeia produtiva na região do Agreste Meridional de Pernambuco. No total, serão beneficiados 70 pequenos produtores dos municípios de Águas Belas, Buíque, Itaíba, Pedra e Tupanatinga.

Os investimentos totais da iniciativa chegam ao montante de R$ 315 mil, sendo um pouco mais de R$ 100 mil por parte da AD Diper e o restante bancado pelo Sebrae. “O projeto se faz muito importante, pois trata de um acompanhamento técnico em várias áreas temáticas como gestão, saúde animal, higiene e principalmente a nutrição animal, visto que tem sido um grande gargalo nesses últimos anos de seca”, explica o gerente de Arranjos Produtivos Locais da AD Diper, Álvaro França.




Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.