DP Empresas Quando amor e negócios andam juntos Casais apostam em estender a relação do âmbito pessoal para o profissional, mas é preciso tomar alguns cuidados para fazer o empreendimento dar certo

Por: Luciana Morosini

Publicado em: 10/06/2018 09:00 Atualizado em: 08/06/2018 13:02

Taciana e Adriano abriram cafeteria há nove meses e já pensam em expandir. Foto: Nando Chiappetta/DP
Taciana e Adriano abriram cafeteria há nove meses e já pensam em expandir. Foto: Nando Chiappetta/DP

Muitos dizem que amor e negócios não devem se misturar, mas há quem aposte em estender a relação pessoal para a profissional também. São muitos os casais que decidem empreender juntos, muitas vezes para seguir um novo rumo de trabalho, outras para ter um negócio próprio. As possibilidades de crescimento em conjunto são grandes, mas é preciso, de toda forma, tomar alguns cuidados para que uma relação não acabe interferindo e atrapalhando na outra. Neste Dia dos Namorados, muitos casais vão comemorar juntos não apenas mais um ano de relacionamento, mas também a prosperidade dos negócios.

A relações públicas Taciana Soares já tinha vontade de ter um negócio próprio, enquanto o marido, o administrador Adriano Hugo, tinha interesse na área de cafeterias. Juntos há 11 anos, no ano passado, decidiram abrir uma franquia e, na busca pelo negócio ideal, acabaram encontrando um ponto que mudou os planos do casal. "Nas nossas pesquisas, achamos um lugar de repasse e começamos a montar a nossa marca própria", conta ela. Foi assim que nasceu o Café mais Prosa, no Espinheiro. Há nove meses e meio, eles dividem o aprendizado e as funções para tocar o negócio. "Nesse primeiro momento, ele está à frente do atendimento durante a semana e eu fico na retaguarda com a parte dos pedidos, compras, estoque, essas coisas. No fim de semana, estamos os dois no local", detalha Taciana. A sociedade para além da relação pessoal tem dado certo. "A gente ainda está muito focado no negócio, esse tem sido nosso assunto principal, mesmo nas poucas horas de lazer. Mas estamos vendo o café crescer e já pensamos em abrir uma nova unidade na Zona Sul em 2019", comemora.

Renata e Victor comemoram o resultado positivo. Foto: Igor Labad/Divulgação
Renata e Victor comemoram o resultado positivo. Foto: Igor Labad/Divulgação

A história do casal de Fortaleza Renata e Victor Cruz, também juntos há 11 anos, é semelhante. Ele, advogado, veio para o Recife a trabalho e ela, arquiteta, veio acompanhando o marido. Um dos passeios que eles gostavam de fazer na cidade de origem era ir para sorveteria e sentiam falta de opções na Zona Sul do Recife. "Ir numa sorveteria é um ritual, um passeio, a gente gosta muito e enxergou nisso uma oportunidade de negócio, foi assim que resolvemos empreender", conta Renata. Depois de um ano de estudos e pesquisas, a Buono & Bello foi inaugurada há três meses em Boa Viagem. "A gente nunca tinha trabalhado juntos e, neste começo, estamos muito focados e, mesmo que a gente tente separar a vida profissional da pessoal, acaba que estamos sempre falando da sorveteria. As nossas energias estão sendo depositadas nisso até o negócio se ajustar e os estresses são inerentes, mas o retorno tem sido positivo. A gente trabalha na hora do lazer das pessoas e estamos sempre juntos", completa.

Cuidados
Os cuidados para que a parceria na vida pessoal também dê certo no âmbito profissional são muitos. Para Tiago Monteiro, coordenador do Cedepe Business School, é preciso ter cautela antes de o casal decidir abrir um negócio como sócios. "Neste caso, é apenas uma fonte para o casal e, se os negócios não estão indo bem, as contas continuam chegando e a família não vai ficar bem também. Quando existem outras fontes de renda e o negócio é um complemento, fica mais fácil. Ou seja, é preciso avaliar muito porque os benefícios têm que ser maiores do que os riscos", garante. "Ambiente de trabalho já é complicado por natureza, então o casal tem que ter muita leveza e maturidade porque qualquer fagulha no campo profissional pode acabar se tornando um problema na vida pessoal", completa.

Vítor Abreu, analista do Sebrae, ressalta a importância de separar a vida pessoal da profissional. "Imagina que durante o dia você tem um parceiro que vai exigir metas, cobrar, e à noite os dois precisam curtir a vida social a dois. Isso é um grande desafio e requer muita paciência", diz. Para ele, outra questão importante é a profissionalização da gestão. "Esse modelo é semelhante aos negócios de família. Deve existir uma divisão dos papéis de forma muito clara, o que cada um vai fazer na empresa, desde a rotina administrativa até a parte mais estratégica", explica. Outros passos importantes, segundo ele, são definir as metas e estabelecer um manual de conduta da empresa. "Precisa definir os dias da semana de trabalho, horário do expediente, quais as condições para resolver problemas pessoais. Esses pontos são importantes em uma empresa que envolve um casal", pontua.




Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.