Mercado Construtoras de olhos abertos para Olinda Com o metro quadrado mais caro da cidade, valendo até mais metro quadrado dos imóveis da Cidade Alta, tombados pelo Iphan, a beira-mar olindense é a fatia de mercado mais cobiçada pelas construtoras, uma vez que, em lançamentos, o custo do metro quadrado chega a R$ 7,5 mil

Por: Thatiana Pimentel

Publicado em: 08/06/2018 11:35 Atualizado em:

Um mercado imobiliário que ficou congelado por dois anos e começa a reaquecer. É assim que os construtores que trabalham em Olinda estão avaliando o cenário atual de venda de imóveis na cidade. O impulso para recuperação foi dado com a inauguração do Shopping Patteo. Inclusive, a chegada do Patteo incentivou a construção do primeiro empresarial de Olinda, o Estação José Augusto Moreira, que está sendo finalizado pela AWM e será inaugurado em 2019. A demanda por apartamentos na região, hoje, é focada principalmente nos bairros de Bairro Novo, Casa Caiada e Jardim Atlântico, este último, uma expansão mais recente do mercado imobiliário local. Com o metro quadrado mais caro da cidade, valendo até mais metro quadrado dos imóveis da Cidade Alta, tombados pelo Iphan, a beira-mar olindense é a fatia de mercado mais cobiçada pelas construtoras, uma vez que, em lançamentos, o custo do metro quadrado chega a R$ 7,5 mil.

“E, poucos sabem, mas um dos benefícios garantidos para imóveis acima de 100 metros quadrados construídos em Olinda é que eles, obrigatoriamente, precisam oferecer três vagas de garagem. No Recife, essa exigência só vale para apartamentos com mais de 150 metros quadrados”, explica Alexandre Mirinda, ex-presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE) e dono da AWM. Segundo ele, este é o momento de comprar imóveis na cidade. “O Patteo está mudando o perfil dos moradores de Olinda. Agora, além das famílias que já moravam aqui e acabam crescendo mas não querem sair da cidade, também estamos vivendo agora uma realidade em que as pessoas virão para Olinda para trabalhar e isso abre um leque de clientes novos para as empreiteiras que trabalham na cidade”, detalha.

Mirinda explica que, com a chegada do Patteo e a compra do Hospital ProntoOlinda pela rede D’Or, que o transformou em uma unidade Esperança, é possível que uma rede de profissionais autônomos e empreendedores foquem em Olinda como possibilidade comercial e empresarial. “Foi por causa disso que planejamos o Estação José Augusto Moreira. Serão mais de 154 salas comerciais com 20 pavimentos e 650 vagas de garagem, além do térreo multiúso. É uma estrutura que ainda não existia aqui e que pode servir para médicos, advogados, arquitetos, publicitários, etc”, revela. Outro empreendimento da AWM, construtora já conhecida pelos olidenses, é o Estação Marcos Freire, que será entregue em 2020. O projeto fica distante poucos quarteirões do Shopping Patteo, de frente para o mar de Olinda e já está quase todo vendido. Na planta, uma torre com 17 andares e opções de apartamentos residenciais de quatro ou três quartos e opções de três ou duas vagas de garagem, algo raro no Recife. “Por ter uma procura menor, pelo mesmo valor que você gastaria no Recife, é possível comprar imóveis maiores em Olinda”, resume Mirinda.

A mesma empolgação sobre a retomada do mercado imobiliário em Olinda pode ser vista em Homero Moutinho, diretor da Moura Dubex. “Consideramos que Bairro Novo e Casa Caiada são uma extensão do mercado imobiliário do Recife e, apesar do ritmo mais lento, a gente já estava de olho no público consumidor de Olinda há quase oito anos. Agora, estamos trabalhando para entregar o Venâncio Barbosa, que fica a quatro quarteirões do Patteo, na beira-mar”, relata. O imóvel, que ainda tem unidades à venda, terá plantas de 100 e 128 metros quadrados, com opções de três a quatro quartos. São 69 unidades distribuídas em 23 andares. O metro quadrado fica, em média, por R$ 7 mil. Moutinho afirma que, com o aquecimento do mercado, a construtora já pensa até em um outro lançamento da cidade. “Estamos observando principalmente a região no entorno do Patteo. Quem sabe não levamos um projeto do tamanho do Evolution Shopping Park para lá, como fizemos no entorno do Shopping Recife?”, comenta.

José Antônio Simon, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Pernambuco (Sinduscon-PE) ressalta, contudo, que a recuperação do mercado imobiliário de Olinda será ainda mais lenta e gradual do que a recuperação do setor em todo o estado. “Olinda tem um crescimento de mercado muito vinculado ao próprio crescimento vegetativo da cidade. Mesmo com o Patteo, não teremos uma mudança súbita neste perfil de mercado. Além do mais, houve uma queda de investimentos no Litoral Norte do estado como problemas na vinda das empresas sistemistas da Fiat e com os projetos congelados da Hemobrás, o que tornou o mercado de imóveis olindense menos atraente, principalmente para investidores. Agora, porém, haverá uma expectativa da formação de uma classe média forte impulsionada pelo Shopping que quer morar em Olinda”, finaliza.




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