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Aviação American Airlines modernizará frota e quer expandir negócios no Brasil Até o fim de 2017, a companhia terá retirado da indústria 469 aeronaves antigas e introduzido, no lugar delas, 496 novos aviões. Companhia mira a expansão do alcance à América Latina, especialmente ao Brasil, principal destino da empresa na América do Sul

Por: Ana Viriato - Correio Braziliense

Publicado em: 09/10/2017 08:16 Atualizado em:

A iniciativa prevê a implementação do sistema de Wi-Fi via satélite, a ampliação das cabines para bagagens de mão, a instalação de tomadas nas cadeiras e a inserção de assentos extras em cerca de 550 aviões narrow-body. Foto: American Airlines/Divulgação
A iniciativa prevê a implementação do sistema de Wi-Fi via satélite, a ampliação das cabines para bagagens de mão, a instalação de tomadas nas cadeiras e a inserção de assentos extras em cerca de 550 aviões narrow-body. Foto: American Airlines/Divulgação
Dallas, Texas - Principal companhia aérea do mundo, a American Airlines dará largada, neste trimestre, ao que classifica como “o maior projeto de modernização de frota da história da aviação”, conforme anunciou o presidente da empresa, Robert Isom, durante uma conferência da corporação. A iniciativa prevê a implementação do sistema de Wi-Fi via satélite, a ampliação das cabines para bagagens de mão, a instalação de tomadas nas cadeiras e a inserção de assentos extras em cerca de 550 aviões narrow-body — modelo com apenas um corredor, destinado a voos mais curtos — do grupo.

Em contrapartida ao investimento, a American prevê o incremento da receita. A companhia aérea estima a possibilidade de alcançar US$ 500 milhões em renda adicional até 2021 apenas com a substituição dos assentos das aeronaves. Com a adaptação, o modelo Boeing 737-800, que atualmente suporta 160 passageiros, estará apto a conduzir 172 pessoas, por exemplo. Em outro cenário, a capacidade do Airbus 321 subirá de 181 para 190 viajantes.

O valor agregado com a modernização dos assentos, contudo, é apenas uma parcela integrante dos planos da empresa, a qual prevê que a totalidade da receita auxiliar derivada de projetos comerciais atingirá R$ 2,9 bilhões nos próximos quatro anos. Um terço desse montante — US$ 1 bilhão — está concentrado no pleno funcionamento das classes econômicas básica e premium.

A American Airlines ainda prevê o acréscimo de R$ 1 bilhão à receita, com o projeto One Airline. Assim, no fim das contas, até 2021, a empresa deve captar US$ 3,9 bilhões com a continuação da integração dos processos da companhia e adaptações da frota aérea.

Além dos investimentos na modernização das aeronaves, a American Airlines dedica-se à renovação da malha. Até o fim de 2017, a companhia terá retirado da indústria 469 aeronaves antigas e introduzido, no lugar delas, 496 novos aviões desde a fusão com a US Airways, em 2013. 

Além dos investimentos na modernização das aeronaves, a American Airlines dedica-se à renovação da malha. Até o fim de 2017, a companhia terá retirado da indústria 469 aeronaves antigas e introduzido, no lugar delas, 496 novos aviões desde a fusão com a US Airways, em 2013.

Crescimento

Apesar de ainda não ter concluído a organização da empresa após a fusão, a American Airlines observa a renda dos cofres se expandir a passos largos. CEO da companhia aérea, Doug Parker apresentou os números do crescimento. O ganho líquido da empresa entre 1978 e 2013 beirava US$ 1 bilhão. Após a unificação, a cifra saltou para R$ 19,2 bilhões entre 2014 e o fim deste ano. “Não acredito que voltaremos a perder dinheiro novamente”, cravou o executivo à plateia.

A companhia aérea ainda mantém rendimentos melhores que empresas da indústria de aviação. Enquanto a American alcançou um incremento na receita de 0,5%, no terceiro trimestre deste ano, a concorrência teve um desempenho de encolhimento da renda na ordem de 0,8%.

Em meio aos bons ventos, os executivos da American Airlines esbanjam otimismo. Durante a primeira conferência da companhia aérea após a fusão, o CEO Doug Parker contou detalhes sobre uma aposta firmada com o analista Sam Buttrick: o valor de uma ação da empresa — que, na noite deste domingo, custava US$ 51 — atingirá US$ 60 antes do senhor completar 60 anos de idade, em 25 de novembro de 2018.

Doug Parker ainda realizou uma ousada promessa, dado o cenário econômico da indústria: a American Airlines produzirá, em média, US$ 5 bilhões em lucro operacional bruto ao ano. O valor, entretanto, deve variar. A expectativa é de que o montante seja de US$ 7 bilhões em “bons anos”, e US$ 3 bilhões “nos ruins”. “Estamos excitados e confiantes quanto ao que estamos fazendo”, disse o CEO.

Aposta na América do Sul

A American Airlines mira a expansão do alcance à América Latina, especialmente ao Brasil, principal destino da empresa na América do Sul, com 73 frequências semanais. Para tanto, a companhia aérea aguarda a conclusão de algumas etapas da joint venture — que garante o compartilhamento da malha aérea, passageiros e cargas — com a Latam, validada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em setembro. “Essa parceria será importante, porque a empresa está nos maiores aeroportos da América do Sul”, pontuou o vice-presidente de malha e planejamento, Vasu Raja.
 
Na análise, o Cade avaliou que os mercados envolvidos no acordo contemplavam voos para passageiros saindo de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Manaus (AM) para Miami e outros dois das capitais paulista e carioca para Nova York. “Assumindo que teremos a joint venture, iniciaremos novos voos em mercados que já servimos e em outros que ainda não conhecemos”, emendou o presidente do departamento de cargas da American Airlines, Rick Elieson.
 
O acordo ainda precisa receber o aval do órgão de controle chileno. Outra etapa necessária à ampliação da participação da companhia aérea no Brasil é a aprovação, no Congresso Nacional, do projeto “Céus Abertos”, um acordo bilateral de exploração mútua de malha aérea. A proposta está nas gavetas da Câmara dos Deputados desde 2016. Esse passo é imprescindível para que o acerto entre American Airlines e Latam seja autorizado pelo Departamento de Transporte dos Estados Unidos.
 
O Brasil é o principal destino da empresa americana na América Latina com 73 frequências semanais para cinco destinos, Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo. A companhia aérea transportou, apenas durante 2016, 190 milhões passageiros no país. Somente para o aeroporto de Guarulhos, onde vai erguer um hangar avaliado em R$ 100 milhões,  a American Airlines opera seis voos diários.



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