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Medicamento Contra-ataque em prol da Hemobrás Bancada pernambucana no Congresso arregimenta formas de impedir que o estado perca para o Paraná parte da produção prevista para a fábrica local

Por: André Clemente - Diario de Pernambuco

Publicado em: 15/07/2017 10:38 Atualizado em:

Foto: Hemobrás/Divulgação
Foto: Hemobrás/Divulgação
A fábrica da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) foi anunciada com pompa no estado, atingiu o auge da construção em um calendário que parecia perfeito entre 2007 e 2010, mas entrou nas diversas obras federais que desaceleraram e pararam. A situação deixou o projeto em xeque para Pernambuco.
Desde a entrada no time do presidente Michel Temer, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, cogita tirar o “filé” daqui para levar para o Paraná, sua terra natal. O fato é: sem a produção do medicamento fator VIII recombinante, a planta de Pernambuco, 70% concluída e que já movimenta R$ 1 bilhão em investimentos, vai se tornar inviável, algo ainda mais real depois que foi solicitada oficialmente pelo Ministério da Saúde a suspensão do contrato que trata da produção do produto. 
A velocidade com que o assunto é tratado pelo governo federal provocou contra-ataque da bancada pernambucana no Congresso, articulando o Tribunal de Contas da União, Ministério Público e governo do estado para evitar o enfraquecimento da Hemobrás.
De acordo com o deputado federal João Fernando Coutinho (PSB), que coordena a bancada de Pernambuco, há grande risco financeiro e técnico à indústria nacional e local com a mudança de plano. A Hemobrás tem a atualmente a Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com o laboratório francês Baxter/Shire, que prevê, até 2023 (iniciado em 2013), receber toda a tecnologia para produzir em território nacional o fator recombinante VIII, que hoje é importado. “A empresa não descarta negociar prazos e valores para manter o contrato vigente, inclusive fazendo investimentos”, destacou Coutinho, citando que o TCU recebeu nesta sexta-feira o pedido de liminar do MPF para interromper a suspensão do contrato e avançar em uma readequação do projeto.
O senador Armando Monteiro Neto (PTB) destaca que é preciso mobilização permanente da bancada. “A nossa tarefa é complexa porque estamos buscando uma solução para um projeto que teve vários percalços, não foi concluído e, como estatal, usou recursos públicos. Mas o estado agora está imerso na crise fiscal e não tem dinheiro sobrando para concluir. É preciso buscar o setor privado para garantir a conclusão das obras”, disse.
 Segundo o senador, a parceria com os franceses passou por problemas que serviram de argumento para o ministro da Saúde levar a produção para o Paraná. “Ele encontrou uma combinação com outro agente privado, que é a Octopharma, que possibilitaria a conclusão da planta de sangue, mas implicaria de levar o recombinante para o Paraná. Temos que aceitar? Não. Mas temos que entregar uma proposta de solução para que fique em Pernambuco, inclusive com a própria Shire”.
De acordo com o senador Humberto Costa (PT), a bancada vem trabalhando com unidade. “É preciso deixar claro que essa tentativa do ministro pode tornar a fábrica daqui obsoleta. A produção a partir do fracionamento do sangue tem os dias contados. Se apenas essa etapa ficar por aqui, a tendência é inviabilizar o projeto. Indo para o Paraná a produção do fator VIII recombinante, a fábrica pernambucana teria a função única de fracionar o sangue e fazer embalagem. E com R$ 200 milhões dá para concluir o projeto no estado.” O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) destacou em nota que “a Hemobrás é um grande investimento do Brasil que precisa ser preservado e valorizado para que funcione em sua plenitude” e diz que não poupará esforços para que a fábrica ocupe toda sua capacidade produtiva.
O secretário de Desenvolvimento Econômico e vice-governador, Raul Henry (PMDB), trata como inaceitável a proposta de transferir para o Paraná. “Estamos falando de R$ 1 bilhão já investidos em um formato que pode ser revisto. Há parceiros internacionais querendo investir no negócio que podem ser integrados a uma nova engenharia. Já procuramos o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, para que o assunto seja levado diretamente ao presidente Temer”.


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