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Solidariedade Combate ao desperdício aliado a uma ação social Sobras de material de construção são doadas àqueles que precisam

Por: Gabriela Araújo

Publicado em: 18/06/2017 11:41 Atualizado em: 19/06/2017 11:43

Dono do Armazem Etapa Final, Sergio Nascimento, lançou o projeto Construção Livre: quem tem sobras de materiais de construção, doa. Quem precisa, recebe. Foto: Gabriel Melo/ Esp. DP (Foto: Gabriel Melo/ Esp. DP)
Dono do Armazem Etapa Final, Sergio Nascimento, lançou o projeto Construção Livre: quem tem sobras de materiais de construção, doa. Quem precisa, recebe. Foto: Gabriel Melo/ Esp. DP
Beba um café e deixe um pago para o próximo cliente. Quando leu sobre essa campanha que acontecia em uma cafeteria de São Paulo, o empreendedor pernambucano Sérgio Nascimento resolveu adaptar para o seu setor, a construção civil, e evitar agressões ao meio ambiente. Em 2015, ano da pesquisa mais recente realizada pela Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos de Construção Civil e Demolição (Abrecon), apenas 21% dos Resíduos de Construção e Demolição (RCD) produzidos pelas usinas brasileiras eram reciclados. Percebendo que nas casas dos pernambucanos o desperdício também é grande, Sérgio, proprietário do Armazém Etapa Final, que fica na Estrada do Arraial, em Casa Amarela, lançou o projeto Construção Livre. Quem tem sobras de materiais de construção, doa. Quem precisa, recebe.

O projeto Construção Livre começou em fevereiro deste ano. Depois que Nascimento teve a ideia, demorou cerca de um mês para colocar em prática. “Comecei a sondar os clientes na loja, perguntando o que achavam e se participariam”. Ele conta que muitos deles já foram respondendo que sim e relatando as sobras de materiais que guardavam em casa, sem nenhuma perspectiva de uso.  “Em vez de acumular, queremos que ele possa ter um lugar para doar”, diz.

Os clientes do armazém - e qualquer pessoa - podem ser doadores ou recebedores. Segundo o empreendedor, a meta é que ele consiga criar uma rede que faça com que o cidadão perceba a importância de as empresas se preocuparem com o que o desperdício dos produtos que elas vendem causa. Além disso, notem que o que existe entre o empreendedor e o cliente vai além do processo de compra e venda. E isso está começando a acontecer, já que a receptividade dos clientes está sendo ótima.

Podem ser doados materiais hidráulicos e elétricos, tintas, impermeabilizantes, gesso, argamassa e cimento, que ficam guardados em um anexo do armazém. Mesmo que o projeto esteja funcionando até agora entre os clientes, o principal objetivo é que vá para fora desse público. “Queremos doar esse material para quem precisa, para pessoas das comunidades carentes do Recife”. Segundo Nascimento, para que isso seja colocado em prática, ainda é preciso aumentar o volume de doações. “Quando alguém doar muito ou eu juntar, ligo para uma liderança comunitária e já articulo com ele para ver quem está precisando”, explica. Para que isso aconteça, ele também está em busca de parcerias, como outros armazéns da Região Metropolitana do Recife (RMR) que tenham interesse em adotar o projeto. Até agora, foram recebidos cerca de 100 itens diversos e entre 100 quilos e 200 quilos de gesso, cimento e argamassa.

TECNOLOGIA

O próximo passo do projeto Construção Livre é ganhar um aplicativo, que já está desenvolvimento pela Recife Sites e deve ser lançado até o fim deste mês. Vai funcionar da mesma forma que já existe, mas com uma “mãozinha” da tecnologia e um alcance maior. Em todo o Brasil, será possível que seja feito o anúncio de sobras de materiais da construção civil, doados para quem demonstrar interesse. Após isso, doador e recebedor combinam o melhor local e horário para a realização da ação. Com a ideia, Nascimento espera também influenciar empreendedores do ramo, para que se sensibilizem e busquem iniciativas mais sustentáveis.


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