Economia

Não estamos sozinhos

Por Alexandre Jatobá (*)

Alexandre Jatobá é economista e diretor da Datamétrica. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação

Porém, em matéria de instabilidade econômica e/ou política, ao menos não estamos tão sozinhos. Um dos nossos colegas sulamericanos, o Chile, que vinha de um longo período de crescimento, também tem seus problemas. Em 2016, o PIB cresceu “apenas” 1,5%, sendo o pior desempenho desde 2009.  E no primeiro trimestre de 2017, cresceu apenas 0,1%. O resultado deve-se ao baixo desempenho dos produtos minerais, especialmente o cobre, seu principal produto de exportação, cujo preço internacional vem caindo no período recente. A produção industrial e a agricultura também não têm perspectivas animadoras para 2017. Para 2017, o crescimento deve ser de “apenas” 1,7%. Lá, no cenário político, também há instabilidade devido as próximas as eleições presidenciais (mas nada comparado a nossa crise).

Outro vizinho, a Argentina, vive um cenário mais parecido com o nosso. Embora tenha encerrado 2016 com uma queda no PIB de 2,3%, a economia argentina está reagindo, desde o segundo semestre de 2016. Essa recuperação deve-se às reformas econômicas implementadas pelo governo. A inflação está caindo e há perspectiva de redução da taxa de desemprego, dos atuais 9,0% para 8,3% no final de 2017. O cenário político argentino também anda um pouco agitado por causa do aumento das tarifas dos serviços públicos e as duras negociações salariais com os sindicatos.

Por fim, um colega latino americano: o México. Lá, o “inimigo” mora ao lado: Donald Trump. Depois de crescer de 2,3% em 2016, com a tendência de uma política comercial americana bastante protecionista, as previsões de crescimento para 2017 vêm caindo desde o início do ano. Hoje o Banco Central de lá prevê crescimento de “apenas” 1,3%. A inflação também ameaça a economia, com a expectativa de fechar 2017 acima da meta (5,4% x 4,0%), enfraquecendo o consumo e o investimento do país.

Como se vê, há outros países com problemas, mas, no quesito incerteza, estamos em primeiro lugar.

(*) Economista e diretor da Datamétrica.

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