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Prejuízo Crise política gera queda de até 70% nas vendas das casas de câmbio da RMR O dia de ontem (18) foi agitado nas casas de câmbio. Foram muitas ligações, mas poucas vendas.

Por: Gabriela Araújo

Publicado em: 19/05/2017 12:23 Atualizado em: 19/05/2017 12:39

Alta do dólar de 8,07% no dia de ontem gerou prejuízo nas casas de câmbio da RMR. Crédito:Paulo Vitor/Estadão Conteúdo/AE
Alta do dólar de 8,07% no dia de ontem gerou prejuízo nas casas de câmbio da RMR. Crédito:Paulo Vitor/Estadão Conteúdo/AE

Enquanto nesta quinta-feira (18), dia de agravamento da crise política do Brasil, o Índice Bovespa teve a maior perda desde 2008 (10,70%), o dólar sofreu o efeito contrário. A moeda norte-americana teve ontem a terceira maior alta da história, ficando atrás apenas de dois episódios em janeiro de 1999, quando o país saiu do regime de bandas cambiais. O preço do dólar subiu 8,07% e fechou o dia em R$ 3, 3868. As casas de câmbio da Região Metropolitana (RMR) sentiram o efeito principalmente de queda nas vendas, já que as oscilações foram muito altas durante o dia.

Na Recife Câmbio, por exemplo, houve uma queda de 60% a 70% nas vendas. De acordo com Pedro Pragana, diretor da  empresa, só quem comprou a moeda foram os que realmente tinham viagem marcada para ontem ou para esta manhã. O dólar turismo chegou a ser vendido por R,60, e fechou o dia em R$ 3,52, às 16h, quando Pragana optou por encerrar as operações. Na quarta-feira (17), o dólar podia ser encontrado por R$ 3,28 na Recife Câmbio. “Eu não tenho nem expectativas daqui para a frente, não sei onde vai  chegar o dólar, porque tudo agora depende da política. O momento agora é de aguardar para ver o que vai acontecer, diz.

Na Boa Viagem Câmbio o dia de ontem também foi de prejuízo. A queda foi de cerca de 35% nas vendas. “A gente ficou bem em pânico. No começo da manhã a gente não conseguiu nem dar o preço do dólar, quando a bolsa travou”, conta José Maria de Almeida, gerente comercial da empresa.  A moeda foi vendida por até R$ 3,58, ainda no período da manhã, e fechou o dia em R$ 3,55, enquanto no dia anterior estava em R$ 3, 23. “Para quem ia viajar a longo prazo, eu recomendei que esperasse, já que normalmente depois de uma queda muito grande vem um momento de calmaria”.

Já na Europa Câmbio, apesar do dia agitado, a situação foi um pouco diferente. Edísio Pereira Neto, diretor comercial da empresa, conta que as pessoas começaram a chegar na loja às 9h. Queriam comprar o dólar com a cotação do dia anterior, mas não era possível. A procura pela moeda aumentou em torno de 30%. “Foi muita gente ligando querendo saber do preço e muita gente já comprou logo, com medo que aumentasse ainda mais”, explica. Ele conta que, a curto prazo, a expectativa é de que as vendas diminuam. Mas a longo prazo, quando a situação política normalizar, elas voltem a crescer.

De acordo com Roberto Ferreira, professor de economia do Centro Universitário Guararapes FG, as pessoas que têm viagem marcada para o exterior podem esperar um pouco para ver se o dólar uma queda maior, já que, em sua opinião, a situação política vai ter um desfecho rápido. Também podem por optar por diversificar, comprando dólar aos poucos por meio de cartão de crédito, débito e até cheque especial. “Se a pessoa só vai viajar daqui a seis meses ou um ano, o melhor é aguardar”.

HOJE
O dólar amanheceu o dia em queda. Por volta das 10h20 desta manhã, o dólar era cotado para venda a R$ 3,30, apresentando queda de 2,49%.



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