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Observatório econômico (In)eficiência Pública

Publicado em: 27/06/2016 08:00 Atualizado em: 23/06/2016 16:22

Por Marcelo Eduardo Alves da Silva (*)

Marcelo Eduardo Alves da Silva é professor de Economia da UFPE. Foto: Paulo Paiva/DP
Marcelo Eduardo Alves da Silva é professor de Economia da UFPE. Foto: Paulo Paiva/DP
Quando se trata de eficiência do governo, o Brasil vai mal numa comparação internacional. Má alocação de recursos e ineficiência parecem ser a norma do setor público. Com tantos desafios a serem vencidos, mais do que nunca precisamos de uma revolução no emprego dos recursos públicos.


O Fórum Econômico Mundial divulgou recentemente um ranking global de competitividade para 140 países. O ranking inclui indicadores que cobrem diversos aspectos desde a percepção de segurança, de qualidade das instituições, da educação, da eficiência dos gastos públicos, confiança nos políticos, ética e corrupção, independência do sistema judicial, etc. Não seria nenhuma surpresa dizer que o Brasil vai mal na maior parte dos indicadores, ocupamos a 710 posição no ranking global de competitividade entre os países avaliados. Os indicadores que me chamaram mais atenção foram aqueles relacionados à eficiência do governo. Em termos de eficiência dos gastos públicos, ocupamos a “honrosa” 1330 posição, confiança nos políticos (1380), correta alocação dos recursos públicos (1390), pagamentos irregulares e subornos (1120), ética e corrupção (1380) e por ai vai.

Num momento quando as “entranhas” e “artimanhas” do relacionamento pouco virtuoso entre o público e o privado no Brasil são expostas ao escrutínio público, não é de estranhar que quando se trata de eficiência do governo e dos gastos públicos ocupamos as últimas posições. Aliás, com raras exceções, as palavras eficiência e correta alocação de recursos estão ausentes na maior parte do setor público. É difícil imaginar que num país com tantos desafios, os governantes, de forma geral, empreguem tão mal os escassos recursos públicos. Há quase uma obsessão em utilizar os recursos em coisas com pouca ou nenhuma importância, mas que  aparentemente dão destaque ao gestor público.

Não consigo imaginar que teremos mais espaço para ampliar as despesas públicas num contexto onde o setor público já consome 40% do PIB. O setor público não gera riqueza, ele retira da sociedade. Quanto mais ele gasta, mais ele precisa arrecadar em impostos seja no presente ou no futuro, e isto significa aumento da dívida pública hoje. Além disto, é necessário que os gestores atentem para o fato de que precisamos aumentar urgentemente  a eficiência dos gastos públicos. E creio que não apenas aumentar a eficiência, mas decidir mais sabiamente onde emprega-los. Não são poucos os casos de desperdício do dinheiro público não só na execução, mas principalmente na alocação dos recursos. Basta olharmos à nossa volta e veremos casos e mais casos de recursos mal empregados, de projetos não finalizados ou que em nada beneficiaram a população, que serviram apenas para a propaganda eleitoral.

Como estamos em ano de eleições municipais, precisamos mais do que nunca estar atentos ao desempenho dos nossos gestores atuais e decidir se eles de fato merecem nosso voto novamente. E não apenas isto, precisamos avaliar se aqueles que temos a intenção de dar nosso voto têm o compromisso com a correta aplicação dos recursos públicos. Prometer o que não se pode cumprir parece ser a norma entre nossos políticos.

Precisamos mais do que nunca estar atentos ao desempenho dos nossos gestores atuais e decidir se eles de fato merecem nosso voto novamente. E não apenas isto, precisamos avaliar se aqueles que temos a intenção de dar nosso voto têm o compromisso com a correta aplicação dos recursos públicos.

(*) Professor de Economia da UFPE.

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