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Observatório econômico Empobrecimento

Publicado em: 26/06/2016 08:00 Atualizado em: 24/06/2016 17:51

Por Carlos Magno Lopes (*)

Carlos Magno Lopes é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Carlos Magno Lopes é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
O objetivo final das políticas públicas é promover o progresso humano e material da sociedade. Para se alinhar a essa meta, a política econômica deve, dentre outras ações, atuar para assegurar a criação de riqueza. São poucos os que fazem votos de pobreza e se sentem felizes. No mundo real, quase todos almejam o conforto material, expresso, na maioria das vezes, pela capacidade de consumir, uma importante medida de bem-estar econômico. Acontece, contudo, que as sociedades não ficam mais ricas por vontade política de caudilhos ou por obra e graça de pensamentos positivos. Os países ricos são aqueles que foram capazes de sustentar, ao longo do tempo, trajetórias consistentes de crescimento econômico. Sem essa condição, a prosperidade é apenas uma miragem fortuita.


O revolucionário modelo de desenvolvimento econômico implantado no Brasil em 2012, a nova matriz macroeconômica, que tem como fundamento a inexistência de restrição orçamentária e a inflação de dois dígitos, com o sólido apoio do intervencionismo estatal (determina até o lucro dos empresários), conseguiu seu objetivo: a maior crise do país desde 1930. A economia despencou e, com ela, o PIB per capita, que mesmo sem sustentabilidade sempre crescia nos anos recentes. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima o PIB per capital de 2016 em USS 15 mil, comparado com US$ 16,2 mil em 2014, o último ano do milagre fraudulento. Ainda segundo o FMI, só em 2020 o PIB per capita do Brasil voltará ao mesmo nível do de 2014. Além de andar para trás, o Brasil ficou mais pobre. Para milhões de famílias, isso significa um retorno à condição de pobreza, sobretudo no nordeste, região que concentra o maior número de pobres do país.  

A World Wealth Report (2016), observando os países mais ricos, argumenta que o estímulo à produção de riqueza deve levar em conta outras variáveis além do crescimento do PIB, isto é, garantias de direitos de propriedade, desenvolvimento do sistema bancário e do mercado de ações, mídia livre e independente, baixo nível de intervenção estatal, tributação pessoal e corporativa moderada e facilidade para investir. Como se observa, dessa lista, não consta alguns dos pilares da nova matriz macroeconômica, uma teoria de desenvolvimento (baseada em crenças) totalmente produzida no Brasil, tais como: subsídios generalizados, intervencionismo estatal, desoneração tributária, desequilíbrio fiscal, inflação e contabilidade criativa, por exemplo. Perguntará, quase inaudível, o aflito leitor: “Quer dizer que embarcaram o Brasil no ônibus errado?”. Sim, com destino ao atraso, mas já substituíram o motorista, que está tentando mudar para o itinerário certo. O problema é que os passageiros perderão precioso tempo e terão que pagar outra passagem. Para os que viajam em pé, o sofrimento será ainda maior.

Países ricos são aqueles que foram capazes de sustentar, ao longo do tempo, trajetórias consistentes de crescimento econômico. Segundo o FMI, só em 2020 o PIB per capita do Brasil voltará ao mesmo nível do de 2014. Além de andar para trás, o Brasil ficou mais pobre.

(*) Professor do Departamento de Economia da UFPE.

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