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Observatório Econômico É aproveitar o momento

Publicado em: 06/06/2016 08:00 Atualizado em: 05/06/2016 17:53

Por Alexandre Jatobá (*)

 (Foto: Tiago Lubambo)
Não sairemos da crise e não conseguiremos ter um crescimento sustentável sem realizar as sempre propagadas reformas estruturais em nossa economia. As reformas previdenciária, tributária e trabalhista não podem mais esperar.

Pouco depois de assumir, a nova equipe econômica, chefiada por Henrique Meireiles, anunciou o primeiro pacote econômico para tentar reverter a maior recessão  econômica do país desde a crise de 1929. O principal objetivo é atacar o maior vilão da atual crise: o déficit público. Dentre as medidas anunciadas, a mais importante é a que propõe limitar o crescimento das despesas públicas à inflação do ano anterior. O gasto público não é algo, em princípio, danoso à economia. Pelo contrário, conceitualmente, um aumento nos gastos do governo contribui para o aumento do PIB. O problema é que, principalmente nos últimos anos, o governo vinha gastando cada vez mais e arrecadando cada vez menos. O resultado, como estamos vendo, é a União e a maioria do Estados e Municípios com extrema dificuldade de pagar até as suas despesas mais básicas.

É quase consensual que, além do pacote acima citado, não sairemos da crise e não conseguiremos ter um crescimento sustentável sem realizar as sempre propagadas reformas estruturais em nossa economia. As reformas previdenciária, tributária e trabalhista não podem mais esperar.

Atualmente, há 1,7 contribuintes para cada beneficiário da previdência. Somente este dado é suficiente para entender que o sistema atual quebrará. Trata-se apenas de uma questão de tempo. Em relação à reforma tributária, temos um sistema excessivamente complexo e que trava o crescimento da economia. Por fim, a legislação trabalhista atual tem 73 anos de idade e  naturalmente envelheceu. Segundo dados da CNJ, em 2014, havia um processo trabalhista para cada 6 trabalhadores com carteira assinada. Basta essa estatística para verificar que a legislação precisa ser revista, buscando uma maior flexibilidade e valorizando a livre negociação.

Que o pacote econômico e as reformas são urgentes, acho que ninguém discorda. Mas também, não há como negar que é necessário discutir  com profundidade cada um desses temas. Eis que o noticiário desta semana parece ter colaborado para dar um pouco de tempo para essa discussão.

Primeiro, a divulgação dos dados do PIB para o primeiro trimestre revelou que a recessão perdeu sua força. Enquanto boa parte do mercado esperava um recuo de quase 1,0%, o recuo foi de apenas 0,3%. Assim, a  economia parece que irá parar de piorar.

A outra "boa notícia" foi a divulgação do relatório do mercado de trabalho americano que mostrou que foram criadas menos vagas do que o esperado naquele país. Isso significa que os EUA não terão, ao menos no curto prazo, capacidade de aumentar sua taxa de juros. E o aumento da taxa de juros americana, neste momento, é tudo o que a economia brasileira não está precisando, uma vez que isso provocaria uma intensa saída de capitais e um aumento significativo na taxa de câmbio, o que iria dificultar nossa recuperação.

Por isso, temos que aproveitar o momento!!! Discutir os temas com profundidade, mas não podemos demorar, antes que seja tarde demais.

*Economista e diretor da Datamétrica



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