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Observatório econômico PIB em queda livre

Publicado em: 24/03/2016 08:00 Atualizado em: 01/04/2016 19:35

Por André Magalhães*

André Magalhães é professor do  Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
André Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Ao contrário do que muitos pensam, o Estado não pode tudo. É importante aprendermos essa lição. O dinheiro do Governo Federal acabou, a fonte secou. Pior, com nós somos a fonte, continuar no erro significa espremer mais ainda os contribuintes para poder continuar gastando. O caminho é outro. Precisamos reorganizar os gastos públicos, controlar a inflação crescente.

Ontem a Agência Condepe/Fidem divulgou os dados do PIB (Produto Interno Bruto) de Pernambuco em 2015. Os números confirmam algo já esperado, qual seja, a forte queda da produção do estado. A redução foi de 3,5%, em comparação com 2014. Esperado, infelizmente, dada a visível crise econômica por que passa o Brasil desde 2014. Tivemos quedas em quase todos os segmentos da indústria e de serviços. O resultado geral de Pernambuco poderia ter sido pior, não fosse o desempenho positivo da agropecuária (5%).

Mais do que o número negativo do ano, chama a atenção o desempenho da economia ao longo do ano. De um crescimento de 2,2% no primeiro trimestre, a economia foi piorando a cada nova medição: -3,2% no segundo trimestre, -5,6% no terceiro trimestre e -6,3% no quarto trimestre, sempre comparando com o mesmo período do ano anterior. Ou seja, fazendo uma projeção simples, tudo leva a crer que as coisas não estarão melhores quando os números de 2016 começarem a sair.

De fato, os primeiros números oficiais de emprego do ano já confirmam essa direção. Os dados da Caged, do Ministério do Trabalho e Previdência Social, apontam para perdas de mais de 100 mil postos de trabalho em fevereiro e para um número semelhante em janeiro para o Brasil como um todo. Em Pernambuco, as perdas foram próximas a 15 mil postos de trabalhos em cada um dos dois primeiros meses do ano. Pior, sem perspectiva de melhoras no curto prazo.

E agora? Como assimilar essas informações? O que fazermos? Bom, a primeira coisa é entender que não é possível ignorar a crise. Ela está aqui para todos verem. Ela está batendo às nossas portas. Não adianta colocar a culpa no resto do mundo ou em qualquer outra coisa externa ao País. Grande parte das nossas dificuldades foram criadas aqui, por uma política econômica equivocada com base em premissas erradas, por exemplo, de que o Estado pode gastar o que quiser.

Esse é, talvez, um segundo ponto: ao contrário do que muitos pensam, o Estado não pode tudo. É importante aprendermos essa lição. O dinheiro do Governo Federal acabou, a fonte secou. Pior, com nós somos a fonte, continuar no erro, significa espremer mais ainda os contribuintes para poder continuar gastando. O caminho é outro. Precisamos reorganizar os gastos públicos, controlar a inflação crescente e apontar um caminho para sair da crise aos poucos. Não há mágica a ser feita. Apenas trabalho. As coisas não vão melhorar do dia para à noite. O momento político não ajuda, é fato! Mas isso vai ser resolvido de uma forma ou de outra, em breve.

Enquanto isso nos cabe arrumar a casa (as nossas finanças) e cobrar o mesmo dos nossos governantes. Não é momento para excessos, os governos não tem recursos, mas também não é a hora de desespero ou radicalismo. É a hora de trabalhar com a realidade, reconhecer os erros cometidos, corrigir o rumo e buscar a saída da crise.

*Professor do Departamento de Economia da UFPE

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