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Skate Negócios do "surf no asfalto" crescem no Recife Mercado de skate está em alta na capital pernambucana, com o aumento dos adeptos da aventura sobre as rodinhas. Fábricas e lojas locais oferecem produtos de qualidade

Por: Augusto Freitas

Publicado em: 14/12/2014 08:20 Atualizado em: 14/12/2014 09:12

Dudu Carvalho, sócio da Afrika Boardshop: parada certa para os praticantes de skate no Recife. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press
Dudu Carvalho, sócio da Afrika Boardshop: parada certa para os praticantes de skate no Recife. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

Nem só de bike vivem os amantes de aventuras radicais sobre rodas. Apesar do boom comercial nos últimos dois anos, as magrelas têm dividido espaço nos parques e ruas com os adeptos do “surf no asfalto”. Bom para os praticantes, ótimo para os empreendedores, já que os negócios especializados na prática do skate têm mostrado uma rápida ascensão na mesma intensidade da emoção das “dropadas”.  

Até poucos anos atrás, a compra dos modelos para curtir a adrenalina era restrita a lojas de outros estados, geralmente em redes varejistas que vendem uma infinidade de produtos esportivos, em shoppings por exemplo. O panorama mudou. Hoje, é possível montar um produto de excelente qualidade com marcas e peças de ponta bem próximo de você, em casa na web ou no bairro ao lado.

De tanto "droparem" nos picos mais conhecidos do skate no Recife e sentirem a dificuldade dos praticantes no acesso ao que havia de melhor no ramo, os amigos Eduardo (Dudu) Carvalho, 28, economista, e Felipe (Pio) Barroco, 29, fisioterapeuta, fundaram uma das lojas mais prestigiadas no atual cenário. A Afrika Boardshop tem só dois anos, um deles dedicado às vendas online, mas é parada certa para os praticantes.  
 
“Conheciamos peças e fornecedores. O mercado estava na mão e decidimos criar a Afrika. No início, gastávamos uma média de R$ 1 mil para compor o estoque. Hoje, esse valor gira em torno de R$ 9 mil. O setor vem crescendo, mas é preciso cautela, saber se é moda ou tendência”, avalia Dudu. A loja é especializada em montar longboard, o skate tipo pranchão, e tem uma infinidade de acessórios, incluindo os de proteção.

O rápido salto da Afrika acompanhou o crescimento nacional, já que o Brasil é um dos líderes mundiais na prática esportiva. Dados da Sports Good Intelligence Europe, de 2012, mostram que a indústria do skate tem movimentado uma média de R$ 3 bilhões por ano. No Brasil, há cerca de 4 milhões de praticantes de skate em todas as variações, como street e long. Uma das razões são os skatesparks erguidos nos grandes centros urbanos. O Recife vai ganhar o seu, em Boa Viagem, projeto tocado em parceria com a Rio Ramp Design, especialista em projetos de rampas e pistas.

Shapes são produzidos na Aurora Boards desde 2012. Foto: Victor Moreira/Divulgação
Shapes são produzidos na Aurora Boards desde 2012. Foto: Victor Moreira/Divulgação
Há quem escolha por a mão na massa e opta por mesclar a venda das peças através de uma marca própria. Caso da Aurora Boards, do microempresário Victor Moreira, 30. A loja surgiu nos Aflitos em 2012 depois que ele largou o emprego em um banco para fabricar shapes (as pranchas do skate) de qualidade com preços acessíveis. A Aurora caiu tanto no gosto, ou melhor, nos pés dos skatistas, que atualmente passa por reforma.

“Inicialmente, a Aurora vendia skates longboard freestyle, downhill e simulador de surf. Agora em dezembro, após a reforma, vamos oferecer também skate street infantil”, destaca Victor. Entre as razões do crescimento da Aurora em pouco tempo, uma ele tem na ponta da língua. “Nem todo mundo curte ficar enfurnado na academia. O long e o skate são praticados ao ar livre, dão uma sensação de liberdade.”

Competições

Uma das responsáveis pelo crescimento do mercado de skates no Brasil são as competições, nos níveis estadual e nacional. O calendário é vasto e atrai bastante atenção da mídia e de patrocinadores de peso com gordas premiações. Sem isso, é provável que o segmento ainda se encontrasse em um patamar inferior. A capacitação, aliás, evoluiu bastante nos últimos anos.

“A mídia abraçou o esporte que mais vende no Brasil depois do futebol, pois temos competições importantes que envolvem uma cadeia enorme de produção. Há mais fábricas do produto surgindo e gente especializada para manter o mercado em alta”, atesta Victor Campos, supervisor comercial da Froes Comércio Internacional, que tem 30% de negócios realizados na área de skate.  

Apesar da tendência de alta do setor, os empreendedores devem evoluir na gestão da atividade. “Somos procurados por interessados em abrir e donos de negócios, mas que ainda atuam no mercado através do boca a boca. Sair da informalidade é essencial para o sucesso do empreendimento”, diz Paulo Magalhães, analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Pernambuco (Sebrae-PE).
 
O alerta faz todo sentido. Investir uma média de R$ 650 nos produtos montados nas lojas especializadas, se é sinônimo de diversão para a tribo, é garantia de emprego e renda para quem acredita no potencial da atividade, que une prazer e trabalho duro. Na Myllys, uma das pioneiras no “esporte-empresa” em Pernambuco, oferecer adrenalina aos praticantes vai muito além do relax no asfalto.

Com 15 anos de mercado, a empresa tem fábrica própria instalada no Ibura, possui 40 funcionários diretos, outros e 25 indiretos e vende cerca de 500 skates por mês. O administrador Vieira Filho, 43, fundador da marca, se reciclou e hoje colhe os frutos. “A desmarginalização do esporte ajudou na evolução. Hoje, não nos restringimos apenas aos skates, temos uma linha completa de acessórios e roupas do segmento. O mercado vai continuar crescendo”, destaca.



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