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Varejo » Quando vale a pena encher o carrinho Será que é melhor fazer as compras por semana ou por mês? Confira dicas e cuidado com os desperdícios

Augusto Freitas

Publicação: 31/08/2014 08:00 Atualização: 29/08/2014 22:48

Consumidor está às voltas com o fantasma da inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os alimentos têm contribuído para o aumento. Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
Consumidor está às voltas com o fantasma da inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os alimentos têm contribuído para o aumento. Foto: Ed Alves/CB/D.A Press

A feira do supermercado parece não dar trégua ao bolso do trabalhador quando a soma total aparece no monitor do caixa.  Tem sido assim, principalmente, desde 2013, quando o Grande Recife liderou o ranking anual de inflação das regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), com percentual de 6,86%, contra a média nacional de 5,91%. Não importa se você comprou dez produtos ou encheu o carrinho.

Às voltas com o fantasma da inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor  Amplo (IPCA) e cujas maiores contribuições de alta têm sido os alimentos, cabe a pergunta: o que é mais vantajoso, visitar o supermercado mensalmente ou semanalmente?  Afinal, lembre-se que este item consome, em média, segundo o IBGE, cerca de 30% do total do seu salário mensal. Ou seja, é preciso avaliar antes de escrever a lista e encarar as prateleiras e o caixa.

O administrador Josafá Almeida, 35, mora com dois amigos e todas as despesas são divididas, aluguel, condomínio, energia, internet e feira. Até março deste ano, conta, o trio costumava comprar tudo para o mês todo. Primeiro detalhe: eles, praticamente, só jantam em casa, já que passam o dia no trabalho e por lá fazem as refeições anteriores. Segundo: com mais comida em casa e menos boca, o desperdício se tornou algo constante. Mudaram, então, a tática.

Josafá passou a fazer as compras por semana para evitar o desperdício. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press
Josafá passou a fazer as compras por semana para evitar o desperdício. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press
“Agora nós compramos o básico para passar a semana, como pães, ovos, queijo, presunto, refrigerante, verduras, carnes e laticínios. Quando recebemos visita no fim de semana, compramos o que precisamos para aquele momento. Hoje, gastamos em média uns R$ 100 por semana”, explicou Josafá. Além disso, diz ele, pesquisam em supermercados de menor porte e aproveitam as promoções que surgem durante alguns dias da semana.

A rotina diária, aliás, pode ser um dos vilões para o desperdício, herança dos sombrios tempos de hiperinflação até meados dos anos 1990, e o prejuízo no bolso. Some a isso o fato de que a população passou a ganhar mais e uma parcela dela, hoje, tem acesso a produtos mais refinados e caros. Na falta de educação financeira, a população adota o discurso “se eu ganho mais posso gastar mais”. Não é bem assim, segundo especialistas financeiros.

“A feira é algo heterogêneo e por isso é preciso calcular o que é mais viável, dependendo do perfil do consumidor, se tem família ou mora só, se há filhos e a frequência de refeições em casa. Ainda mais diante da corrosão do salário do trabalho pelos índices de inflação”, alerta Djalma Guimarães, economista e professor universitário do Instituto Maurício de Nassau. “Para a população de baixa renda, a pesquisa se torna ainda mais necessária”, avalia.

Cartão ou dinheiro?


Na dúvida do que, quanto e a frequência das compras na feira, dois outros pontos merecem atenção. Pagar com dinheiro ou cartão de crédito? Gastar até quanto do salário mensal? Pode parecer indiferente, mas não é. Ainda mais se você for um consumidor que não tem controle das finanças.  O ideal, na análise do economista Djalma Guimarães, é respeitar a regra básica de não ultrapassar as despesas mensais com alimentos além dos 30% dos rendimentos.

“É preciso impor um limite de gastos com alimentos. Considerando, por  exemplo, a média de renda de dois salários mínimos da população, 30% equivalem a quase R$ 435, sem contar as demais despesas. A regra básica é evitar pagar alimentos com cartão de crédito porque ele incentiva o descontrole em função da rotatividade. A cada fatura, é complicado acompanhar os gastos somente com este item junto aos demais”, pontua.

No tira-teima deste jogo, reforça Guimarães, vale a pena prestar atenção a um item determinante se você quer manter as finanças e a feira controladas: as promoções. É simples, basta seguir as ações das redes varejistas, que adotaram a escolha do “dia da semana” para baixar preços dos produtos. Claro, você terá de encontrar um tempinho na sua agenda.  É o caso de Josafá Almeida, que alterna as compras em estabelecimentos com preços mais em conta.

“Acompanho os preços nos supermercados porque trabalho com finanças. Contra o desperdício, pesquisamos e aproveitamos as promoções”, revela. Guimarães também dá uma boa dica. “Produtos não perecíveis podem ser comprados em quantidades para o mês, pois algumas redes de atacado baixam os preços em grande escala de compra. No caso dos perecíveis, as promoções semanais são uma boa tática para economizar”, completa.

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