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Telefonia » Oi prepara oferta para levar a TIM

Correio Braziliense

Publicação: 28/08/2014 08:35 Atualização:

Com a menor participação de mercado e o maior endividamento do setor nacional de telecomunicações, a Oi surpreendeu o mercado ao contratar o banco BTG Pactual para assessorar sua oferta para comprar a TIM no Brasil. Especialistas acreditam que, sem caixa e com uma dívida líquida de R$ 46 bilhões, a Oi deve se unir à Claro, da mexicana América Móvil, e à Vivo, da espanhola Telefónica, na aquisição, com objetivo de fatiar a TIM e concentrar o mercado em só três grandes operadoras.

O movimento ocorre às vésperas do leilão de telefonia de quarta geração (4G), marcado para setembro. As companhias do setor precisarão de caixa para conquistar as respectivas licenças. “Difícil dissociar todas essas últimas ofertas do leilão que se aproxima. Telefónica e Telecom Italia disputam a GVT (da francesa Vivendi). A Oi decidiu ganhar tempo para resolver a questão com a Portugal Telecom (PT) e buscou também se capitalizar no mercado”, avaliou o especialista Dane Avanzi.

Se era isso, conseguiu. As ações das duas companhias foram o destaque do pregão de ontem da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), que fechou com alta de 1,89%. Os papéis da TIM Participações se valorizaram 10,05%, a maior alta do dia, e os da Oi, 6,72%. Mas a recuperação é pequena para a Oi, que, além do alto endividamento, levou um baque quando a fusão com a PT esbarrou no calote que o grupo português levou ao emprestar 1 bilhão de euros à RioForte.

A Telecom Italia, que tem 67% da TIM Participações, divulgou nota ontem afirmando que “a TIM Brasil é um ativo estratégico” e que estranha a iniciativa da Oi, sobre a qual “não sabe nada”. Para o analista da Ativa Corretora Lucas Marins, a oferta surpreendeu também o mercado. “O valor da TIM é estimado em R$ 27 bilhões. A Oi deve muito mais do que isso e ainda perdeu R$ 1 bilhão com títulos podres da RioForte. Está claro que isso é para provocar a diluição da TIM, com Claro, Vivo e Oi comprando uma parte cada uma”, explicou.

As outras duas operadoras não se manifestaram e tampouco o PTG Bactual formalizou a proposta. Procurados, o banco e a Oi preferiram não comentar o assunto. Contudo, caso a compra se efetive, não haverá motivos para a Telecom Italia disputar a GVT com a Telefónica. “Se vender a TIM e deixar de operar telefonia móvel, para que ela compraria uma empresa de telefonia fixa nesse mercado? A negociação só se justificaria para integrar as duas operações no país”, afirmou Marins.

Dúvidas

Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Arthur Barironuevo, especialista em políticas de competição e regulamentação de monopólios, o tom das negociações ainda é muito nebuloso. “O mercado de telecomunicações é muito concentrado no mundo inteiro, porque requer altos investimentos. Certamente, a oferta tem a ver com o leilão de 4G e o fato de a Oi estar endividada e com problemas com a acionista PT”, disse.

O especialista alertou, contudo, que não será operação fácil de ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “A Oi tem 18% de participação, e a TIM, mais de 25%. Em alguns municípios, a discussão vai ser bastante complicada”, afirmou. Para o coordenador da Área de Telecomunicações da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), Marcelo Zanateli, a compra da TIM pela Oi não será positiva para o consumidor. “Vai reduzir a competição, e a união formará uma megacorporação, sem fusão das plataformas de tecnologia”, disse.

Destaques da companhia que está atraindo o interesse da concorrência

» Segunda operadora de celular do Brasil

» Líder do segmento pré-pago

» 74,2 milhões de clientes

» 26,91% de participação no mercado

» R$ 737,7 milhões de lucro líquido no primeiro semestre de 2015, aumento de 6,7%

» Líder no mercado de aparelhos, com 41% das vendas das operadoras no segundo trimestre de 2014

» Participação de pós-pago na base de clientes subiu para 16,5% no segundo trimestre de 2014, ante 15,7% em igual período do ano passado

» Usuários de dados cresceram 24% no segundo trimestre, atingindo 39% da base total, com 30,2 milhões de usuários 3G

Fonte: TIM

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