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PIB » Copa do Mundo ajuda a parar o Brasil

Correio Braziliense

Publicação: 25/08/2014 09:30 Atualização:

A Copa do Mundo deu uma de seleção alemã e contribuiu para a surra no PIB brasileiro. É consenso entre os especialistas que o desempenho da atividade econômica do segundo trimestre será negativo também por conta do menor número de dias úteis no período do torneio mundial. O comércio vendeu menos, a indústria produziu menos e até os serviços sofreram impacto com a paralisia do país em dias de jogos da Seleção e nos feriados das cidades sedes. “Há um certo impacto, claro, mas não dá para atribuir apenas ao efeito Copa o desempenho negativo”, alerta Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho.

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, estima que o PIB deve ser de -0,4% no segundo trimestre e fechar o ano em 0,8%. “A indústria fraca, o menor número de dias úteis, os serviços que devem apresentar retração, e o comércio sob efeito de sazonalidades, como menor consumo de combustíveis durante a Copa, contribuíram para isso”, afirma. Gomes explica que o varejo pode se recuperar um pouco no segundo semestre porque o preço dos alimentos está em queda. Ressalta, contudo, que, como o crédito está mais caro, a venda de bens duráveis deve continuar baixa.

O economista da CNC acredita que o consumo das famílias ainda deve ser um ponto positivo no desempenho do PIB. A economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, discorda. “O crédito está mais restrito, com os juros altos, isso abala o consumo”, sublinha.

Dentro dos lares brasileiros, a percepção é de que o consumo desabou. A enfermeira Maria Iara Alves Vieira, de 24 anos, está com dificuldades para pagar as contas e já partiu para os cortes de gastos. “Minha filha de três anos fazia escola, balé e teatro. Tivemos que tirá-la das atividades extras. Cortamos o telefone fixo de casa e estamos pedindo desconto na faculdade do meu marido. Até trocar produto no supermercado é necessário para equilibrar o orçamento”, reclama.

Emprego

Os pilares que ainda sustentavam o consumo das famílias, o mercado de trabalho estável e os ganhos reais nos salários, começaram a ruir. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na semana passada, pelo Ministério do Trabalho e Emprego, apontaram que o ritmo de contratação perdeu força pelo terceiro mês consecutivo em julho. O comércio fechou vagas neste trimestre e a indústria está demitindo há quatro meses. E o aumento médio real de salários subiu 1,5%, quando já superou os 4% no ano passado.

Para o advogado Felipe Rizzini, de 28 anos, a falta de correção salarial impactou nas decisões de consumo da família. “O piso dos advogados está estagnado há três anos no Distrito Federal. É complicado porque a gente sente mais o peso da inflação. Alguns produtos aumentaram mais de 20% no período. Só resta cortar”, ressalta.

Na avaliação da economista do Ibre/FGV Silvia Matos, o governo conseguiu manter a situação do emprego estável por mais tempo porque tomou medidas de desoneração da folha de pagamento, tornando o custo do trabalho menor. “Conseguiu bloquear a deterioração da economia no emprego. Mas foi mais uma medida pontual, que não se sustentou por muito tempo”, observa.

A construção civil, setor intensivo em mão de obra, também está demitindo. Os empresários do segmento estimam queda no número de novos empreendimentos e serviços, na compra de matérias-primas e insumos e no número de empregados. “O indicador de expectativa sugere queda na atividade nos próximos seis meses”, revela a pesquisa Sondagem Indústria da Construção. É a primeira vez, desde dezembro de 2009, que o indicador mostra pessimismo em relação ao futuro.

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