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FipeZap » Desaceleração nos preços, aponta para queda de investimentos em imóveis

Agência Estado

Publicação: 21/08/2014 20:56 Atualização: 21/08/2014 22:03

Compras de imóveis realizadas como investimento estão desacelerando. Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press (Compras de imóveis realizadas como investimento estão desacelerando. Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Compras de imóveis realizadas como investimento estão desacelerando. Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
A tendência de desaceleração do preço dos imóveis, que se confirmou pela oitava vez consecutiva em julho, segundo o Índice FipeZap, está mudando o comportamento dos compradores. Pesquisa elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o portal Zap, revela que a alta de 10,4% acumulada em 12 meses até julho deste ano - a menor desde 2011 - está desestimulando as compras realizadas por motivo de investimento. O estudo "Raio X do comprador de imóveis" mostra que as intenções de investimento em imóveis caíram de 48% no primeiro trimestre, para 34% no segundo trimestre, o menor porcentual desde o início de 2013, quando a pesquisa começou a ser realizada.

"Verificamos que essa intenção de investimento vem diminuindo. Ainda não é preocupante, mas é reflexo do aumento da taxa de juros e da incerteza em relação ao cenário macroeconômico", explica o coordenador do Índice FipeZap, Eduardo Zylberstajn. O economista avalia que a tendência de desaceleração do aumento do preço dos imóveis e a redução do apetite do investidor devem continuar nos próximos meses.

Apesar desta desaceleração, a alta no preço dos imóveis registrada nos últimos anos ainda faz com que os compradores acreditem na valorização dos seus investimentos. Segundo a pesquisa, 41% dos entrevistados esperam que o preço do metro quadrado suba no prazo de um ano, 36% acreditam que o preço se manterá estável e 23% preveem queda. Já no prazo de dez anos, a expectativa de 51% dos compradores é de que o preço do imóvel vai subir acima da inflação; 31% esperam aumento dos preços de acordo com o índice e 19% acham que o imóvel vai valorizar menos do que a inflação na próxima década.

Na avaliação de Zylberstajn, este é um cenário saudável. "Não vemos um otimismo generalizado, o mercado está consciente. Apenas metade dos compradores espera valorização acima da inflação. Para ter uma referência, durante a bolha imobiliária dos Estados Unidos, 90% dos investidores tinham essa percepção", comentou. O economista ressaltou que o estudo agora vai poder monitorar as expectativas do mercado. "Vamos poder saber o que está efetivamente acontecendo com o sentimento do comprador", afirma.

Objetivo da compra
O estudo que entrevistou mais de três mil pessoas também revela que entre os que já compraram imóveis, 30% o fizeram por motivo de investimento. Os imóveis mais baratos, que custam até R$ 200 mil, são o foco dos investidores - que compõe 53% dos compradores nessa faixa de preço. Por outro lado, 72% das aquisições feitas em valores acima de R$ 1 milhão foram destinadas à moradia.

A pesquisa ainda destaca que o desconto médio entre o preço do imóvel anunciado e o valor do negócio foi de 6,5%, e que mais de 40% dos compradores não obtiveram descontos. As entrevistas também mostraram que apenas 13% dos entrevistados fazem questão de comprar um imóvel novo e 37% dão preferência a apartamentos usados.

Pesquisa
Para conclusão do estudo, foram entrevistadas 3.227 pessoas que pretendem adquirir imóveis ou já são proprietários, a maior parte nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além das localidades já acompanhadas pela pesquisa mensal de preços do Índice FipeZap. O "Raio X do Comprador de Imóveis" será publicado trimestralmente.

FipeZap acompanhará preço 25 cidades
A partir deste mês, o índice FipeZap, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o portal Zap, vai analisar o preço do metro quadrado dos imóveis em 25 cidades. Até então, eram monitorados 16 municípios. Serão adicionados à lista Campinas, Contagem, Goiânia, Guarulhos, Guarujá, Osasco, Praia Grande, Santos e São Vicente. Agora a análise ampliada do FipeZap inclui 13 das 15 maiores cidades do País, e vai cobrir 35% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Destas nove cidades, quatro (Campinas, Santos, Contagem e Goiânia) passam a fazer parte da média do Índice FipeZap Ampliado. O indicador, a partir de agosto, vai trazer a evolução do preço médio de 20 cidades brasileiras. As outras cinco serão monitoradas mensalmente.

"A ampliação de cobertura é usual e necessária, se feita de forma cautelosa. Estamos buscando mais qualidade de informação", afirmou o coordenador do índice, Eduardo Zylberstajn.

A variação nominal do preço do metro quadrado em 2014 foi positiva nos nove municípios incluídos no monitoramento. O destaque fica com Goiânia, onde os preços subiram 7,3% ao longo deste ano e o valor médio do metro quadrado até julho era de R$ 3.860. A menor variação, de 0,5%, aconteceu em Santos, onde o metro quadrado custa em média R$ 4.701. Dentre as novas cidades monitoradas no indicador, Osasco tem o metro quadrado mais caro, de R$ 5.023. Nesta cidade, a variação nominal dos preços foi 4 8% positiva.

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