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Fechamento » Crise ucraniana atinge rede da McDonald's na Rússia

AFP - Agence France-Presse

Publicação: 21/08/2014 18:12 Atualização:

Pessoas sentadas no primeiro restaurante do McDonald's aberto na antiga União Soviética, em 1990, que atualmente está fechado. Foto: © AFP/Alexander Nemenov (Pessoas sentadas no primeiro restaurante do McDonald's aberto na antiga União Soviética, em 1990, que atualmente está fechado. Foto: © AFP/Alexander Nemenov)
Pessoas sentadas no primeiro restaurante do McDonald's aberto na antiga União Soviética, em 1990, que atualmente está fechado. Foto: © AFP/Alexander Nemenov
Quando abriu em 1990, os soviéticos fizeram fila durante horas para provar seus hambúrgueres. Agora, as portas do McDonald's da Praça Pushkin de Moscou estão fechadas. Como consequência da crise ucraniana, as dificuldades do ícone do fast food parecem estar apenas começando na Rússia.

Símbolo histórico da Perestroika, período em que a rede de fast food mais frequentada do mundo se estabeleceu em um país que abria sua economia, o McDonald's teve três restaurantes fechados em Moscou na última quarta-feira pela vigilância sanitária.

Nesta quinta, alguns moscovitas se depararam com as portas de vidro fechadas com um selo da Agência de Proteção do Consumidor.

A maior parte das pessoas entende o motivo da medida. "Você vive em outro país?", brinca Ivan, um aposentado sentado na varanda do fast food quando perguntado por que o estabelecimento estava fechado. "Talvez haja problemas sanitários, mas a minha impressão é de que está relacionado com as sanções. O que podemos fazer? É a guerra", conclui.

Oficialmente, a Agência de Proteção ao Consumidor explicou que foram constatadas "inúmeras infrações das normas sanitárias". A rede sofreu multas superiores a 10.000 euros e os restaurantes afetados podem ser fechados por 90 dias.

O McDonald's afirmou em um comunicado que está fazendo o necessário para reabrir "o mais rápido possível", pois sua prioridade é "oferecer produtos seguros e de qualidade".

Mas não é a primeira vez, inclusive depois do início da crise na Ucrânia, que as autoridades russas são acusadas de recorrer a uma desculpa sanitária para implementar uma medida política em um período de tensão.

De fato, a Rússia acaba de decretar um embargo a grande parte dos alimentos de países que a sancionaram pela anexação da Crimeia e pelo suposto apoio aos separatistas do leste da Ucrânia. Essa decisão não atinge o McDonald's, que se abastece praticamente de produtores locais.

Os restaurantes fechados pelas autoridades, que já haviam advertido a rede no início de julho, não parecem ter sido escolhidos aleatoriamente. O da Praça de Pushkin é famoso pelas fotos das filas de espera na sua abertura, em pleno inverno de 1990, nos últimos meses da existência da URSS. Outro estabelecimento fechado fica perto dos muros do Kremlin, na Praça Manezh.

Inspeções se multiplicam
"É um sinal que mostra que a Rússia está preparada para atingir diretamente uma empresa, sobretudo porque os alvos escolhidos são simbólicos", avalia Andrei Petrakov, diretor da consultoria Restcon.

Além do simbolismo, são estabelecimentos muito frequentados. "Isso afeta os negócios do grupo", reconhece o analista.

Mas não parece que as autoridades vão se contentar apenas com os restaurantes já fechados. Segundo a agência pública de imprensa Ria-Novosti, nesta quinta-feira houve inspeções na região de Ural e na parte europeia da Rússia. Na semana que vem, será a vez da região de Krasnodar, no sul.

Segundo o jornal Kommersant, as inspeções sanitárias são feitas por ordem do governo. A rede americana já havia sido criticada quando fechou seus restaurantes na Crimeia após a anexação da península por Moscou, alegando motivos econômicos e logísticos.

Em dificuldade na Ásia, devido ao escândalo envolvendo o fornecimento de carne estragada na China, e em busca de um novo impulso no mercado dos Estados Unidos, o McDonald's fez grandes investimentos na Rússia, con mais de 400 restaurantes, sendo 160 em Moscou.

Segundo a agência Interfax, seu volume de negócios aumentou 18% em 2013 e supera a marca de 1 bilhão de euros. Os analistas do Morgan Stanley destacam que o país representa mais de 260 milhões de euros em lucros por ano.

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