• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Energia » CEB adia parte do reajuste da conta de luz para 2015

Correio Braziliense

Publicação: 20/08/2014 08:35 Atualização:

Os moradores do Distrito Federal pagarão, em média, 18,88% a mais pela energia elétrica a partir da semana que vem. Ontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a Companhia Energética de Brasília (CEB), que atende 962 mil unidades consumidoras, a reajustar suas tarifas. Para os clientes de baixa renda, o aumento na conta de luz será de 18,08%. Indústrias conectadas em alta tensão serão majoradas em 19,9%. Na baixa tensão, que inclui consumidores residenciais, comerciais e rurais, a alta será de 18,38%. Os novos valores passam a valer em 26 de agosto.

O reajuste é três vezes maior do que a inflação acumulada nos últimos 12 meses, calculada em 6,5% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ainda assim, o aumento foi considerado baixo por especialistas do setor elétrico, uma vez que a agência reguladora tem concedido reajustes de 30%, em média, a outras distribuidoras em razão do preço cada vez mais alto para comprar energia, com a dependência da geração termelétricas e rombos bilionários no caixa das distribuidoras, expostas ao mercado de curto prazo.

O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, explicou que, para calcular o índice, é considerada a variação de custos que a empresa teve no ano. A conta inclui custos típicos da atividade de distribuição, sobre os quais incide o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e outros gastos que não acompanham necessariamente o índice inflacionário, como energia comprada, encargos de transmissão e encargos setoriais. O índice estipulado pelo órgão é o máximo que pode ser praticado pelas distribuidoras, mas as empresas podem aplicar percentuais menores.

Isso permite a politização dos reajustes tarifários. A Copel, do Paraná, por exemplo, solicitou praticar um reajuste menor do que o liberado numa jogada do governador daquele Estado, Beto Richa, uma vez que o governo é o maior acionista da companhia de energia. No Pará, o reajuste foi parar na Justiça. O governo paraense quer praticar reajustes mais alinhados ao índice de inflação.

O governo do Distrito Federal também prometeu reajustar as tarifas conforme a inflação. Contudo, no pleito encaminhado a Aneel, a CEB expôs a necessidade de reajuste de 45,08%, sendo que o índice econômico pleiteado foi de 13% e o índice financeiro, 34%. Contudo, a companhia solicitou, e foi atendida pela Aneel, um diferimento que excluiu do cálculo do reajuste deste ano o índice dos custos financeiros. Rufino explicou que o aumento poderia ter sido maior, em nove pontos percentuais, chegando a 28%. “Mas atendemos o diferimento solicitado pela companhia”, disse.

Para a agência autorizar o desconto dos nove pontos percentuais, um montante de R$ 136,250 milhões de custos financeiros da CEB ficou de fora dos cálculos este ano, mas poderá ser incluído nos próximos reajustes, atualizado pelo IGP-M. No voto do relator José Jurhosa Junior, a Aneel homologou, ainda, repasse da CEB para a Corumbá Concessões, de R$ 43,7 milhões, referente a pendência de compra de energia, cuja decisão da agência saiu em dezembro, e terá que ser paga pela distribuidora.

 “Pedimos 45%, a Aneel nos deu 28,11%. Mas o acionista majoritário, o GDF, solicitou à CEB que usasse o mecanismo de diferimento, adiando para agosto de 2015 nove pontos percentuais de reajuste”, explicou Rubem Fonseca, presidente da estatal. Segundo ele, isso foi feito com o receio de que o reajuste maior fomentasse a inadimplência. “O governo se comprometeu a fazer aportes, caso a empresa precise”, acrescentou.

Populismo

Especialistas veem pressão das urnas na decisão. O reajuste da CEB também não agradou a acionistas minoritários da companhia, que acompanham de perto as dificuldades financeiras pelas quais passa a empresa. Um dos sócios, François Moreau, classificou o pedido de diferimento de populismo tarifário, praticado pelo governo federal, que está sendo seguido pelo GDF, também administrado pelo PT.

“A CEB teve prejuízo de R$ 135 milhões no ano passado. Só no primeiro trimestre deste ano, o rombo é de R$ 142 milhões. Mesmo pagando por um custo financeiro absurdo, a companhia está abrindo mão de cobrar isso na tarifa. É populismo tarifário em ano eleitoral”, lamentou. Ele alertou que empregados e prestadores de serviços ficaram apavorados com o reajuste menor.

Ontem, durante o voto do relator da Aneel que homologou o pedido do diferimento, o diretor da agência André Pepitone da Nóbrega chegou a questionar se o reajuste concedido seria suficiente para a CEB honrar os compromissos. “Não se deseja que a companhia fique inadimplente”, disse Nóbrega. Cada vez que a tarifa sobe, há elevação da inadimplência e existem custos para cobrança de valores atrasados”, ressaltou o presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Alexei Vivan.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.