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Setor elétrico » Perspectivas com Marina Silva apontam para mudanças na política energética

Correio Braziliense

Publicação: 19/08/2014 08:46 Atualização:

Representantes e analistas do setor elétrico apostam em uma melhora das relações do setor com o governo caso Marina Silva seja escolhida candidata do PSB à Presidência da República e venha a ser eleita. A avaliação positiva resiste ao fato de que, quando era ministra do Meio Ambiente durante a passagem de Lula pelo Planalto, Marina protagonizou embates com a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sobre o licenciamento ambiental de usinas hidrelétricas.

Dilma pedia maior celeridade, Marina alegava existirem alternativas, ao que a titular da Casa Civil respondia que apenas hidrelétricas a carvão poderiam servir para a geração de energia “firme” - a geração eólica e solar, defendida por ambientalistas, depende de condições climáticas favoráveis. Isso não provoca maiores sobressaltos nos analistas, porém. “Marina mudou muito já quando foi candidata à Presidência em 2010”, afirmou a economista Goret Paulo, especialista na área de energia e professora da Fundação Getulio Vargas.

As dúvidas não são ignoradas, apenas relativizadas. “Algumas coisas vão ter de ser explicadas (por Marina)”, ressalvou o economista Mikio Kawai, diretor executivo da consultoria Safira, focada na área de energia. Mas ele também aposta na continuidade do discurso de Eduardo Campos, que defendia menor intervencionismo no setor, assim como em toda a economia.

Na avaliação de Walter Fróes, da CMU Comercializadora de Energia, Marina terá mais sensibilidade para o debate do que o atual governo. “Por ter mais cuidado com o meio ambiente, ela sabe que as hidrelétricas são uma alternativa de menor impacto do que queimar óleo diesel ou gás. Tem a vantagem de não ser arrogante e escolheu uma equipe econômica que é pró-mercado, como André Lara Rezende e Eduardo Gianetti”, avaliou.

O presidente da Associação Brasileira das Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Alexei Vivan, ponderou que o setor carece de investimentos privados, e para isso o governo, seja ele qual for, precisa criar um ambiente de confiança, com respeito aos contratos, taxas de retorno, segurança jurídica e projetos de licenciamento benfeitos e com prazos realistas. “Marina é mais ligada às questões ambientais, mas o plano de governo do PSB mostra preocupação em recuperar o interesse de investidores no setor”, afirmou.

Voz dissonante, o diretor da Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, considera que a candidatura de Marina Silva preocupa na medida em que os entraves ambientais, que já são responsáveis por atrasos e paralisações de obras de infraestrutura importantes, podem aumentar. “As fontes alternativas defendidas por ela, sozinhas, não resolvem o aumento de demanda por energia do país e são mais caras. Mas a candidata ainda precisa mostrar quem ela é”, defendeu.

Propostas na mesa

O que dizem os planos de governo das principais candidaturas presidenciais sobre o setor energético

PSDB

Consagrar matriz energética que contemple várias fontes, com maior participação de usinas solar e eólica.

Implementar programas de eficiência e de conservação e incentivar o cidadão a gerar parte do seu consumo elétrico.

Profissionalizar as estatais, via contratos de gestão atrelados a metas operacionais e financeiras.

Buscar mais transparência e previsibilidade na formação de preços, com foco na modicidade tarifária.

PT

Retomar a construção de grandes hidrelétricas e acréscimo de 48,86 mil megawatts (MW) ao sistema.

Aumentar a contribuição de fontes alternativas para o sistema integrado, como biomassa, eólica e solar.

Reduzir o custo da energia via renovação antecipada das concessões de usinas antigas já amortizadas.

Ampliar e modernizar o parque  transmissor de energia, com a construção de 43,3 mil km e linhas.

PSB

Realizar novos aproveitamentos hidrelétricos, sobretudo os localizados na Bacia Amazônica.

Ampliar a participação de energia renovável na matriz energética e diversificar com outras fontes renováveis.

Acelerar a implementação de sistemas que permitam maior autonomia ao consumidor empresarial ou familiar.

Fomentar parcerias entre academia e agências de fomento para  desenvolver equipamentos de geração renovável.

 

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