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Eleições e mercado » Chance de derrota de Dilma anima mercados

Correio Braziliense

Publicação: 19/08/2014 08:40 Atualização:

A reviravolta no quadro eleitoral, que agora tem a ex-senadora Marina Silva (PSB) à frente da presidente Dilma Rousseff (PT) num provável segundo turno, animou o mercado financeiro ontem (18). A possibilidade de que a petista perca as eleições, que ainda não estava tão clara no radar dos analistas de bancos e de corretoras, deixou os investidores eufóricos. O resultado foi que a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) avançou 1,05% e o dólar recuou 0,27%, para R$ 2,26 - um movimento que se repete sempre que a presidente aparece em desvantagem nas pesquisas.

“O recado do mercado parece claro: não importa quem vença as eleições, desde que não seja Dilma Rousseff”, analisou o economista-chefe de um grande banco de investimentos. A rejeição à petista reflete a desaprovação do setor privado a políticas implementadas pelo governo, especialmente nos setores de energia e petróleo, que mais sofrem com o intervencionismo do Planalto. Mas expressam também a insatisfação cada vez maior com os fracos resultados da atual administração, marcada por inflação em patamar elevado e baixíssimo crescimento da produção, uma combinação que a maioria dos economistas atribui a erros na condução da política econômica.

Ontem, por exemplo, os analistas ouvidos pela pesquisa Focus, do Banco Central, reduziram pela 12ª semana consecutiva a previsão para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A estimativa recuou de 0,81%, na semana passada, para apenas 0,79%. Enquanto isso, a expectativa para a inflação mal saiu do lugar: passou de 6,26% para 6,25%.

“O mercado está convencido de que a economia trilha um caminho sem volta de baixo crescimento. Há uma sucessão de notícias ruins que tem feito os analistas continuarem cortando suas projeções”, disse o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal.

Espaço

Não surpreende, assim, a reação da bolsa à possibilidade de a presidente não ser reeleita. Ontem, tão logo foi divulgada a pesquisa do Instituto Datafolha, que mostrou Marina com 47% das intenções de voto numa disputa de segundo turno com Dilma, que ficaria com 43%, a bolsa começou a subir. Investidores mostraram especial interesse pelas ações da Eletrobras e da Petrobras, estatais que, segundo acredita o mercado, teriam mais espaço para obter melhores resultados num governo de Marina ou de Aécio Neves (PSDB).

 Já no início da manhã, os papéis da estatal Eletrobras avançavam quase 2%. Os da Petrobras subiam mais de 3%, apesar de já terem ganhado mais de 8% no pregão da última sexta-feira. A euforia contagiou os investidores estrangeiros. Mesmo antes da abertura do mercado brasileiro, por volta das 10h, as ações da Petrobras já mostravam elevação de quase 2% na Bolsa de Nova York. No fim do dia, porém, os papéis da petroleira fecharam com alta mais modesta, de 1,11%. A Eletrobras terminou o pregão com queda de 0,44%.

Cautela

Ainda que a substituição de Eduardo Campos, morto na semana passada, por outro candidato que não seja Marina não esteja nos cenários dos analistas, o mercado mantém certa cautela em relação à candidatura da ex-senadora, que ainda não foi oficializada. “Existe alguma apreensão em relação às posições de Marina em questões ambientais e diante do agronegócio”, assinalou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. “Ela tem uma perspectiva bastante regulatória nessas áreas e poderia causar muito estresse não só com a bancada ruralista no Congresso como com os empresários do setor de energia, que também ficariam bastante apreensivos com regras mais duras.”

Não por acaso, tão logo o mercado digeriu a possibilidade de Marina ser eleita, as ações de empresas que poderiam ser expostas a uma política ambiental mais dura passaram a reverter os ganhos da sessão. O cenário talvez fosse diferente, avaliou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, se o candidato que estivesse à frente nas pesquisas fosse Aécio Neves.

“O tucano veio com a ideia de melhorar institucionalmente a relação do governo com o agronegócio, criando uma pasta que concentraria todas as políticas para o setor, numa espécie de superministério”, disse. Para a maioria dos analistas ouvidos pelo Correio, o senador é o candidato que mais agrada ao mercado, por defender políticas consideradas mais amigáveis ao capital. “A impressão é de que Aécio tentará montar um time de notáveis no governo, e isso anima bastante os investidores”, afirmou.
 

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