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Crise internacional » Confiança alemã despenca em contexto de tensões geopolíticas

AFP - Agence France-Presse

Publicação: 12/08/2014 20:28 Atualização:

Vista de Frankfurt. Foto: © DPA/AFP/Daniel Reinhardt (Vista de Frankfurt. Foto: © DPA/AFP/Daniel Reinhardt)
Vista de Frankfurt. Foto: © DPA/AFP/Daniel Reinhardt
A confiança dos investidores na Alemanha está em queda livre, sob o impacto das sanções contra a Rússia e de um crescimento que pode ser interrompido no segundo trimestre, comprometendo seu papel de locomotiva da zona do euro.

O nível de confiança dos empresários alemães atingiu o nível mais baixo desde dezembro de 2012, segundo o barômetro ZEW publicado nesta terça-feira: a queda foi de 18,5 pontos em agosto em relação a julho, para chegar aos 8,6 pontos.

Este é um péssimo sinal a dois dias da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB), que não deve ser animador. Os analistas consultados pela agência DowJones Newswires esperam que o PIB se contraia cerca de 0,1% em relação ao início do ano.

Esta queda na confiança dos investidores alemães não é apenas a oitava redução consecutiva do índice ZEW, mas o maior recuo desde junho de 2012, quando a zona do euro estava à beira da implosão. A postura decidida do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disposto a tudo o que fosse possível para salvar o velho continente e preservar sua moeda única, ajudou a superar a crise.

"Esta acentuada perda de confiança dos investidores está relacionada, provavelmente, com as tensões geopolíticas que afetam agora a economia alemã", explica o instituto ZEW. Alguns analistas falam, inclusive, do "efeito Putin".

As sanções internacionais contra a Rússia preocupam em particular a Alemanha, já que Moscou é um parceiro importante. O recrudescimento do conflito em Gaza e no Iraque agravam ainda mais essa preocupação.

"Estas tensões são provavelmente temporárias", explica Jennifer McKeown, economista da Capital Economics. "Mas, enquanto os riscos geopolíticos continuarem minando a confiança, mais cresce a ameaça para a atividade real das empresas e o gasto dos consumidores".

Série de dados negativos
A queda do barômetro ZEW constitui "outro sinal preocupante para a economia alemã", afirma a economista. A deterioração da expectativa dos investidores da situação atual recuou 17,5 pontos em agosto.

Isso reflete uma série de indicadores recentes, que mostram uma desaceleração dos resultados reais da Alemanha.

A produção industrial caiu 1,5% no segundo trimestre. Os pedidos industriais também se contraíram 0,6% nos últimos três meses e em junho registraram o pior resultado em três anos.

Diante deste panorama, "a previsão é de que o crescimento na Alemanha seja mais fraco do que o esperado em 2014", adverte o instituto ZEW. No entanto, deve-se relativizar a importância deste barômetro, já que é um indicador muito volátil.

"O ZEW já deu sinais equivocados nos últimos anos, motivo pelo qual seu índice fraco em agosto não é um indício preciso de baixo crescimento na Alemanha", estima Ralph Solveen, analista do Commerzbank.

De acordo com ele, a confiança dos empresários alemães medida pelo barômetro Ifo no final do mês (25 de agosto) será mais determinante.

"O índice ZEW é útil para prever as mudanças de tendência da trajetória econômica (...) mas é menos eficaz para ter a dimensão do alcance dessa mudança", explica Christian Schulz, economista do banco Berenberg. O economista lembra que o crescimento no segundo trimestre sofrerá os efeitos do calendário, com menos dias trabalhados do que em 2013.

A Alemanha dispõe também de ferramentas para resistir aos obstáculos conjunturais. A demanda interna é bastante forte e o mercado de trabalho, estável, apontam os analistas.

"O crescimento mais alto nos Estados Unidos e em outros mercados importantes deve mais do que compensar o enfraquecimento do comércio com a Rússia", diz Christian Schulz.

No fim das contas, os analistas concordam que, embora o ritmo da economia alemã seja questionável, seu vigor não é colocado em dúvida.

"Ainda que uma nova expansão (do crescimento) pareça provável no terceiro trimestre e depois, o auge da recuperação já parece ter passado neste ano", conclui Jennifer McKeown.

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