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Conjuntura econômica » Tombini eleva o tom e parte para o ataque

Correio Braziliense

Publicação: 06/08/2014 08:55 Atualização: 06/08/2014 09:34

Foto: Carlos Moura/CB/D.A Press/Arquivo
Foto: Carlos Moura/CB/D.A Press/Arquivo
No páreo para comandar o Ministério da Fazenda num eventual segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, a partir de 2015, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, já assumiu o papel de sucessor de Guido Mantega. Quem acompanhou a participação dele, ontem, em audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, notou uma mudança radical de comportamento. Em vez da postura serena e do linguajar técnico, características do servidor de carreira que alcançou a presidência do BC, surgiu um Tombini incisivo nas respostas, que, quando pressionado, não hesitava em partir para o ataque.

Ao responder a questionamento do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que lembrou a baixa confiança dos agentes econômicos no governo e os alertas sobre o risco elevado de recessão, o presidente do BC foi enfático: “Que crise é essa, se nós temos o menor nível de desemprego na economia brasileira de todos os tempos? Que crise é essa em que a inflação está sob controle?”, provocou. “Certamente, não podemos falar em crise no país”, argumentou.

A senadora Ana Amélia (PP-RS) observou que analistas privados e entidades internacionais são bem mais pessimistas sobre o desempenho da economia brasileira. Enquanto o BC prevê alta de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) estima avanço de 1,4% e o Fundo Monetário Internacional (FMI), de 1,3%. No mercado financeiro, a projeção é ainda mais raquítica: 0,86%.

Tombini admitiu que o BC poderá rever sua estimativa, e eximiu o governo de culpa pela decepcionante expansão econômica. Ele atribuiu o mau humor de investidores e organismos internacionais com o Brasil a uma série de adversidades globais. “A revisão do crescimento (para baixo) tem sido mais uma regra do que uma exceção nas principais economias do G20”, disse, referindo-se ao grupo dos 19 países mais ricos e à União Europeia.

Estagflação

Entre os motivos apontados para justificar o baixo crescimento do país, sobrou até para a Argentina, que tem barrado importações para segurar a fuga de dólares. “Nós tivemos uma queda de 30% nas exportações para a Argentina”, observou Tombini, lembrando que aquele mercado é o terceiro para produtos brasileiros, atrás dos Estados Unidos e da China.

A crise argentina também foi apontada como responsável por parte dos problemas da indústria nacional, cuja produção encolhe há quatro meses consecutivos. “Aproximadamente 8% das exportações brasileiras são para a Argentina, e, desse total, 90% são manufaturados”, disse Tombini. Para ele, o setor ainda tem sido “negativamente impactado” por “eventos localizados”, como o menor número de dias úteis no primeiro semestre.

Tombini afirmou, mais de uma vez, que “não há descontrole algum” do custo de vida e rebateu críticas de que o país esteja vivendo uma combinação de estagnação econômica e inflação nas alturas. “Estamos longe da estagflação”, disse. “A inflação média mensal desde o início do Plano Real é da ordem de 0,52%, 053% ao mês. Nos últimos 42 meses (tempo em que está no comando do BC), foi de 0,51%. Ou seja, estamos em linha”, defendeu-se. Em seguida, insinuou que Ferraço estaria exagerando nas críticas. “Vossa Excelência clama pela ambição nessa área (do controle de preços). Acho que é importante (a preocupação) e que a inflação tem que ser mais baixa. Mas não há descontrole nenhum”, insistiu.

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