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Consumo » ICC: para analistas há sinais de melhora no 2º semestre

AE

Publicação: 03/08/2014 10:28 Atualização:

Apesar de os indicadores de confiança mostrarem que em 2014 as expectativas das famílias e empresários para a economia não são favoráveis, apresentando um patamar semelhante ao registrado em 2009, quando o País viveu uma breve recessão, economistas ponderam que começam a surgir alguns sinais que podem indicar certa melhora da perspectiva do nível atividade do segundo semestre. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) medido pela Fundação Getúlio Vargas subiu 1% em junho, na margem, e avançou 3% em julho, interrompendo um movimento de queda que vinha desde novembro de 2013.

Para especialistas, a desaceleração da inflação e o fim da Copa do Mundo, que na prática reduziu o número de dias úteis em várias capitais durante o torneio, podem ser os principais fatores que explicariam esta avaliação. "Contudo, essa sensação de melhora não significa uma recuperação expressiva, pois o País no primeiro semestre estava em estagnação", comentou Braulio Borges, economista-chefe da consultoria LCA.

Um outro indicador que sinalizou uma possível interrupção na piora das expectativas foi o Índice de Confiança de Serviços (ICS), também apurado pela FGV. Apesar de ter registrado a sétima queda mensal consecutiva em julho, ao atingir 107,3 pontos - o menor patamar desde abril de 2009 -, o indicador de expectativas subiu 4,3%. "Pode ser que isso sinalize que a situação do setor pode começar a registrar certa estabilização no curto prazo e talvez até algum avanço do nível de atividade no segundo semestre ante o primeiro", comentou Alessandra Ribeiro, economista e sócia da consultoria Tendências.

Alessandra ressalta que tal avaliação precisa levar em conta que o PIB no primeiro semestre enfrentou uma leve recessão, com uma perspectiva de pequeno avanço da economia entre julho e dezembro. Ela estima que o Produto Interno Bruto deve ter caído 0,4% entre abril e junho, na margem, depois de ter registrado uma retração de 0,1% no primeiro trimestre, já considerando uma possível revisão do IBGE, que apontou uma alta inicial de 0,2% nos primeiros três meses de 2014.

Para o terceiro e quarto trimestres deste ano, ela estima avanço de 0,35% para o PIB, na mesma base de comparação. "Isto não significa uma melhora muito expressiva. No entanto, é possível esperar algum incremento das vendas de varejo, com a redução da inflação, especialmente de alimentos", destacou. O IPCA acumulou uma alta de 2,9% entre janeiro e abril, mas deve desacelerar para um aumento de 1,2% entre maio e agosto, estima Braúlio Borges.

"Além disso, medidas adotadas pelo governo para estimular um pouco mais o crédito, como a redução de compulsórios, podem incentivar as vendas de bens duráveis, como veículos", ressaltou Alessandra Ribeiro. Na sexta-feira passada, o Banco Central ajustou as regras dos recolhimentos compulsórios e também nos critérios referentes ao requerimento mínimo de capital para riscos das operações no varejo. Com tais ações, o BC projeta que os bancos terão até R$ 45 bilhões a mais de caixa para realizar novos financiamentos.

PIB fraco

Mas os especialistas enfatizam que a melhora da atividade na segunda metade do ano será suave e não será suficiente para elevar o PIB de forma substancial no ano. Alessandra Ribeiro e José Márcio Camargo, professor da PUC-RJ e economista-chefe da Opus Gestão de Recursos, estimam que o País crescerá apenas 0,6% em 2014. Marcelo Salomon, co-diretor de pesquisas para a América Latina do banco Barclays, prevê um incremento de 0,7%. Na ponta mais otimista estão a LCA, que prevê um aumento de 1,2%, e o banco Goldman Sachs, que espera 1,1% de crescimento, embora admita um viés de baixa, como manifestou Alberto Ramos, diretor de pesquisas para a América Latina da instituição.

"Num contexto de demanda agregada estagnada no primeiro semestre e muitas dúvidas de consumidores, empresários e investidores sobre a gestão da política econômica até as eleições presidenciais em outubro, os indicadores de confiança se tornaram peças importantes para sinalizar tendências sobre o que pode ocorrer com a atividade no curto prazo", ponderou Camargo, da Opus. "Como eles, em geral, apresentam um bom nível de correlação com o desempenho da economia nos meses adiante, a queda registrada no primeiro semestre pelos índices de confiança sugere que no segundo semestre o desempenho do nível de atividade continuará bem fraco", completou.

E para vários especialistas, a frustração de consumidores e empresários com o baixo crescimento do País há três anos, com a gestão da presidente Dilma Rousseff, culminou neste ano com uma impressão mais sensível de deterioração da confiança destes agentes econômicos, destaca Tony Volpon, diretor de pesquisas para a América Latina da Nomura Securities. "O governo diz que há excesso de pessimismo dos mercados com o Brasil, mas isso não está registrado nos ativos financeiros, como por exemplo o câmbio e ações de empresas", disse. "Quem apresenta uma avaliação negativa são as famílias e dirigentes de empresas, que avaliam as condições da economia e não estão satisfeitos com os resultados dos últimos anos", disse.

O PIB avançou 4,6% na média entre 2007 a 2010, mas deve registrar uma marca média de 2% de 2011 a 2014, considerando a estimativa do Banco Central de crescimento de 1,6% neste ano.

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