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Atoleiro » Indústria recua pela quarta vez consecutiva e derruba o PIB

Deco Bancillon - Correio Braziliense

Publicação: 02/08/2014 10:07 Atualização:

A indústria brasileira parece afundar cada vez no atoleiro. Há quatro meses consecutivos a produção nas fábricas só encolhe, refletindo a escassez de pedidos dos lojistas e o colapso de confiança que abarca tanto empresários quanto consumidores. O baque maior foi sentido em junho, quando a produção recuou 1,4%, o pior resultado desde dezembro passado. Na comparação com o mesmo mês de 2013, o tombo foi ainda maior: 6,9%, o mais baixo desempenho desde setembro de 2009, ano em que o país ainda tentava vencer a primeira fase da crise econômica mundial.

São números ruins e que podem piorar. Em um relatório divulgado a clientes, o economista-chefe para Mercados Emergentes da gestora de fundos Capital Economics, David Rees, chamou a atenção para os desdobramentos do possível calote da Argentina, e as consequências desastrosas para a economia brasileira, em especial para a indústria. Nos cálculos dele, o agravamento da crise no país vizinho, um dos grandes compradores de produtos manufaturados brasileiros, poderia reduzir o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em até 0,2 ponto percentual. Isso em um ano em que há analistas prevendo uma alta de apenas 0,5% da economia. Para a produção industrial, as apostas são de um desempenho ainda mais frustrante, com queda de até 1,5%.

Sem solução
Não por outro motivo, ao olhar os números da indústria, o ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central Alexandre Schwartsman chegou a uma conclusão estarrecedora: mesmo com toda a ajuda dada pelo governo ao setor nos últimos anos, ao desonerar a folha de pagamento dos trabalhadores e cortar tributos como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a compra de carros, geladeiras e móveis, a indústria só afundou. Nos 12 meses até maio, o nível de produção nas fábricas ficou 1% abaixo do patamar registrado em 2010, o último ano do governo Lula.

Schwartsman lembra que, no mesmo período, a produção industrial global cresceu 10%. “A história que o governo está tentando vender, e que muitos brasileiros estão abraçando, é de que o mau momento da indústria é culpa do baixo crescimento global. Só tem um problema com essa explicação, ela ser falsa”, criticou. O economista Rogério César de Souza, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), disse que, se os resultados do setor continuarem piorando, 2014 só será melhor para a indústria do que 2009.

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