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Operação Mercado Limpo » Fiscalização apreende mais de 9,5 toneladas de alimentos impróprios para o consumo

Augusto Freitas

Publicação: 25/07/2014 15:57 Atualização:

Um dia depois de deflagrar a Operação Mercado Limpo, que vistoriou 12 supermercados do Recife e interditou sete deles, a Vigilância Sanitária (Visa) divulgou, na manhã desta sexta-feira (25), o resultado das inspeções de ontem (24) e um balanço atualizado das vistorias realizadas este ano. Somente na operação de ontem mais de 9,5 toneladas de alimentos de vários tipos imprópios para o consumo foram confiscados pelos órgãos de fiscalização e direitos do consumidor.

De acordo com a Visa, com esse confisco subiu para aproximadamente 20 toneladas a quantidade de alimentos estragados apreendida desde março, quando a fiscalização nos estabelecimentos varejistas foi intensificada. Agora, segundo um levantamento realizado pelo Diario (que considera também as inspeções em outras cidades da Região Metropolitana), são 42 operações de fiscalização (contando com a megaoperação Mercado Limpo), com 53 vistorias, 34 interdições totais, dez parciais e quatro notificações/autuações. Vale lembrar que em alguns casos, a interdição parcial pode ocorrer em algum setor do estabelecimento ou equipamento, não sendo obrigatória a interdição total.

Na coletiva de imprensa que informou os números da Mercado Limpo, a Visa também destacou que a quantidade de alimentos apreendida na operação deve aumentar, uma vez que uma equipe do órgão voltará ao Supermercado Novo Dia (Beberibe) para resgatar os produtos que não puderam ser recolhidos na fiscalização de ontem, tamanha a quantidade acumulada em toda a operação.

O Novo Dia foi um dos estabelecimentos interditados totalmente após a Vigilância flagrar a venda de alimentos vencidos e condições de estrutura e higiene precárias. No local, os fiscais descobriram um banheiro que funcionava como depósito de alimentos. De acordo com a Adeílza Ferraz, gerente de fiscalização da Visa, a gerência do supermercado tentou esconder o local da fiscalização. “Flagramos uma grande quantidade de produtos armazenados no banheiro”, explicou.

Outros cinco supermercados também sofreram interdição total: RM Express (Boa Vista), Boa Mesa (Dois Unidos), Olho D´Água (Várzea), Engenho Tavares Padaria e Mercado (Engenho do Meio) e Casa do Consumidor (Ipsep). No Real Alimentos, também no Ipsep, a interdição foi parcial. De todos, o RM Express reabriu hoje após a correção no percentual de cloro utilizado na água do estabelecimento, recomendada pela Vigilância e confirmada após nova vistoria.

A situação, no entanto, continua preocupante, já que parte dos supermercados continua a desrespeitar as normas sanitárias. Caso da Casa do Consumidor, que segundo a Visa, foi o supermercado recordista de irregularidades. “Foi o pior estabelecimento entre todos que vistoriamos em todas as fiscalizações. Foi o campeão de irregularidades, devido ao imenso depósito de produtos vencidos e à grande quantidade de roedores presentes no local”, pontuou Adeílza Ferraz.


Sem trégua

Operação Mercado Limpo, na avaliação dos órgãos de defesa do consumidor, foi mais uma oportunidade para os donos de estabelecimentos varejistas mudarem o cenário atual. “É constrangedor ter de interditar esses estabelecimentos e em alguns casos esse tipo de medida causa desemprego. Mas a saúde do consumidor está em jogo e temos que cumprir nosso trabalho de fiscalização. O trabalho de prevenção foi divulgado amplamente, inclusive com reuniões com os representantes dos supermercados, mas parece que ele foi ignorado. Vamos continuar”, ressaltou José Rangel, coordenador geral do Procon-PE.

Adeílza Ferraz também explicou as principais falhas sanitárias encontradas pelos fiscais durantes as operações. Segundo ela, os estabelecimentos continuam falhando na questões de resfrigeração ou conservação inadequadas de alimentos, principalmente carnes, embutidos e produtos lácteos, produtos com prazo de validade vencido ou sem qualquer informação técnica, condições precárias de higiene nas dependências das lojas, temperaturas de equipamentos em desacordo com as exigências sanitárias e deficiência no controle de pragas nos supermercados.

Durante a Operação Mercado Limpo, de acordo com os órgãos participantes, quatro pessoas foram autuadas em flagrante, mas pagaram fianças que variam entre R$ 5 mil e R$ 30 mil e foram liberadas após esclarecimentos na Delegacia do Consumidor. Todos os 12 estabelecimentos foram autuados e devem responder a processos administrativos, com multas que variam de R$ 40 a R$ 2 milhões. A Agência de Defesa Agropecuária de Pernambuco (Adagro-PE) e o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-PE) também participam das opérações de fiscalização.

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