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Histórias » Empreendedores de tecnologia contam como é entrar no setor após os 55 anos

Thatiana Pimentel

Publicação: 13/07/2014 08:00 Atualização: 11/07/2014 23:09

O médico Eduardo Pires, 58, abriu uma empresa de tecnologia há três anos. Contou com a ajuda do sócio, Eric Milfont, 26. Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
O médico Eduardo Pires, 58, abriu uma empresa de tecnologia há três anos. Contou com a ajuda do sócio, Eric Milfont, 26. Foto: Júlio Jacobina/DP/D.A Press
O Brasil é o terceiro país com maior número de empreendedores do mundo, com cerca de 27 milhões de empresários, segundo dados do Sebrae. Mas temos apenas 8,8% de microempresários acima de 55 anos. No setor tecnológico, a presença de pessoas acima dessa faixa etária é ainda menor. De acordo com o Porto Digital, em Pernambuco, apenas 1,9% de todos os parceiros e startups integrantes do complexo têm idade superior a 55 anos. O que representa um total de apenas 23 pessoas entre 1.182.

Uma dessas 23 pessoas é o médico Eduardo Pires, de 58 anos, que acaba de ser graduado na incubadora do Porto. Há três anos, surpreso com a quantidade de atestados médicos falsos que recebia, Eduardo decidiu abrir uma empresa de tecnologia que pudesse resolver o problema. Mal sabia que, além de êxito em seu negócio, ele seria o pernambucano mais “velho” a passar por um processo de incubação no Porto Digital, um dos mais importantes polos de tecnologia do país.  

Para chegar nesse ponto, entretanto, Eduardo Pires contou com um sócio, Eric Milfont, de 26 anos, muito trabalho e a ajuda do polo. Com a incubação, eles puderam usar a estrutura física do Porto e receber orientações para o desenvolvimento do negócio. “Eu não tinha o conhecimento necessário em computação e levaria muito tempo para ter.  Conversei com Eric, trocamos ideias e percebemos que isso poderia ter êxito. Hoje, eu aprendo com ele e ele comigo. Eu conheço muito de medicina, que é o foco do programa, e ele é formado em computação e pode desenvolver o conceito.”

Da experiência, Eduardo Pires só colhe bons resultados. “Quando saio de casa mais desarrumado, com jeans e camisa, chego aqui e ainda sou o mais ajeitadinho. Adoro esse contraste. É muito bom conviver com os jovens.” Eric também aprova a parceria. “Trabalhar com alguém mais velho acaba sendo uma vantagem porque nossos pontos fortes e experiências se somam. Não há perdas, porque temos vivências diferentes e áreas de estudo diferentes. Ao contrário, cometo menos erros do que normalmente cometeria se tivesse como sócio alguém da minha idade”, detalha Milfont.

Hoje, após quase dois anos de incubação no Porto, a  Atestados.med funciona como um programa no qual os médicos cadastrados podem gerar um atestado através do site ou de um aplicativo. Esse atestado vem com um código que é validado nas empresas. “Dessa forma, os profissionais de saúde e às empresas ficam protegidos de fraudes. Como o sistema ainda registra os dados, também é possível gerar um relatório dos problemas mais comuns e direcionar um plano de prevenção dentro das companhias que usarem o programa”, esclarece Pires.

Startup


A mesma receita de aliar conhecimento em uma área específica e computação foi o que motivou o empresário Sebastião Arreguy, 57 anos, a se envolver na WedoMob, outra startup também de Eric Milfont. Fundador do colégio Atual e parceiro estadual da Uninter, universidade de cursos à distância, Sebastião busca com a sua nova startup desenvolver plataformas e jogos voltados para a educação. A empresa tem um ano e deverá, em breve, lançar dois produtos no mercado.  “O principal para empreender é manter o olhar no futuro. Ter medo de tecnologia é besteira.”

Para Arreguy, educação à distância e gameficação do ensino são as próximas tendências à dominar o Brasil. “Abrimos este ano os cursos de engenharia de produção, análise de sistemas e gestão de TI na Uninter e deveremos lançar em breve um jogo interativo sobre gramática na WedoMob. O grande truque é não parar de pensar no futuro. Quando você acredita em algo, não cansa nunca”, revela.

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