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Espírito Santo » Banco português põe em risco a fusão da Oi

Correio Braziliense

Publicação: 11/07/2014 10:00 Atualização:

Um investimento desastroso do português Banco Espírito Santo (BES) ameaça a fusão da Portugal Telecom (PT) com a Oi. Um dos maiores acionistas da tele portuguesa, o BES corre o risco de não receber 900 milhões de euros (cerca de R$ 2,7 bilhões) de um empréstimo feito para uma das empresas do grupo, a RioForte. A dívida vence na semana que vem. Ontem, as ações do banco caíram quase 19% em Lisboa e atingiram o menor nível em um ano, ajudando a derrubar as demais bolsas europeias. O clima de apreensão ficou ainda mais pesado depois que o Fundo Monetário Internacional(FMI) fez um alerta sobre os “bolsões de vulnerabilidade” financeira que persistem em Portugal, país que acaba de sair de um programa de assistência financeira monitorado pela instituição e pela União Europeia.

A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), órgão regulador do mercado de capitais de Portugal, suspendeu os negócios com ações do BES. Especialistas estimam que o banco e as demais empresas do grupo corram o risco de perder até 3,5 bilhões de euros, o que coloca na berlinda os negócios do conglomerado. A fusão da Portugal Telecom com a Oi, que criaria a CorpCo, tem conclusão prevista para outubro. As dívidas da RioForte vencem em 15 e 17 de julho. Se não forem pagas, comprometem 40% do valor de mercado da PT, avaliada em 2,4 bilhões de euros na Bolsa de Lisboa.

Para o advogado Dane Avanzi, vice-presidente da Associação das Empresas de Radiocomunicação (Aerbras), se o negócio com a Oi for adiante, a Portugal Telecom pode ver sua participação na CorpCo cair dos 38% a que teria direito para 20%. “Houve falha da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que teria que analisar se as ações têm lastro”, avaliou. Com os problemas do sócio português, os papéis da Oi tiveram a maior queda de ontem na Bolsa de Valores de São Paulo — os preferenciais (PN) caíram 14,48% e os ordinários (ON) recuaram 13,48%, mesmo em dia de alta na BM&FBovespa.

Inconsistência

Em nota, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), maior acionista da Telemar Participações, que controla a Oi, afirmou que as operações da Portugal Telecom com o Grupo Espírito Santo (GES) são inconsistentes com padrões mínimos de boa governança corporativa. E acrescentou que “não considera nenhuma alternativa que não seja a preservação dos interesses dos acionistas da Oi, ao mesmo tempo em que renova sua confiança na atual gestão da companhia”.

A Oi divulgou comunicado em que informa ter pedido explicações à Portugal Telecom e garante que tomará “as medidas necessárias” para defender seus interesses. Procuradas pelo Correio, nem ela nem a Telemar Participações responderam. A operação está sendo monitorada de perto pela CMVM e pelo governo de Portugal. No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que acompanha o caso.

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