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Fim da Copa » Baixo crescimento econômico e inflação elevada são as pautas após o mundial

Correio Braziliense

Publicação: 10/07/2014 08:59 Atualização:

A saída da Seleção brasileira da disputa pela Copa do Mundo, após a humilhante derrota para a Alemanha, colocará novamente em evidência as mazelas econômicas vividas pelo país, como a baixa taxa de crescimento e a inflação elevada — um cenário desfavorável para as pretensões da presidente Dilma Rousseff de conseguir um novo mandato nas eleições de outubro. Para o economista-chefe da consultoria britânica Capital Economics, Neil Shearing, a carestia, que acumulou variação anual de 6,52% até junho, rompendo o teto da meta do governo, será o fiel da balança no pleito. Se ela continuar alta, aumentam as chances de Dilma não conseguir se reeleger.

“Após a queda acentuada da popularidade no início do ano, o sucesso da presidente dependerá da capacidade dela de atrair o apoio dos eleitores indecisos. “E isso não será ajudado em nada pelo aumento da inflação dos últimos meses”, destacou Shearing. Entre outros fatores, os preços têm sido pressionados pela alta das cotações do dólar. Ontem, no entanto, a moeda norte-americana ficou estável. Num mercado esvaziado pelo feriado da Revolução Constitucionalista, em São Paulo, a divisa ficou estável, cotada a R$ 2,212 para a venda.

Para o diário britânico Financial Times (FT), um dos mais influentes periódicos de economia do mundo, o duro revés da equipe brasileira marca, simbolicamente, o fim do período de boom econômico que o país viveu nos últimos anos. Em matéria publicada na edição de ontem, o jornal diz que, em termos estritamente esportivos, a derrota mostra que o futebol brasileiro foi ultrapassado, em termos táticos, por nações europeias, a exemplo da própria Alemanha. Num plano mais geral, é um sinal de que o país deve passar por mudanças também em outros campos, como na economia.

A publicação observa que, diante da insatisfação popular com a humilhação da equipe nacional, a presidente Dilma Rousseff, a três meses das eleições, deve estar se sentindo perturbada. Historicamente, no entanto, não existe correlação clara entre a performance do Brasil em Copas do Mundo e o desempenho do governo em pleitos eleitorais no mesmo ano, diz o FT. O periódico observa que a população atribuiu à presidente a responsabilidade pelo desperdício e pelos gastos excessivos com a Copa. Já a culpa pela derrota cabe, primeiramente, aos jogadores e ao “técnico sem imaginação” Luiz Felipe Scolari.

Ressaca

Seja como for, o Planalto decidiu agir para evitar que as dificuldades da economia desgastem ainda mais a imagem do governo. Os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) já foram orientados a chamar 23 entidades empresariais, depois da Copa, para discutir novas medidas de estímulo à atividade econômica. Numa primeira rodada, em 18 de junho, foram anunciadas decisões como a de tornar permanentes a desoneração da folha de pagamento da indústria e o programa Reintegra, de incentivos à exportação.

De acordo com um ministro ouvido pelo Correio, já era esperada a queda da empolgação no final da Copa, que, para os brasileiros, acabou antecipada em uma semana com a derrota da Seleção. “Mesmo se o Brasil ficasse em primeiro lugar, haveria uma ressaca depois. As pessoas retornariam para a vida delas, que é dura. Os sindicatos voltariam a pressionar o governo, por exemplo”, afirmou.

Na avaliação do economista-chefe da Capital Economics, o governo não terá vida fácil nos próximos meses. Neil Shearing integra a lista dos especialistas que apontam grandes dificuldades no caminho de Dilma para a reeleição. No início de maio, Tony Volpon, diretor executivo e chefe de Pesquisas para Mercados Emergentes das Américas da Nomura Securities International, em Nova York, havia divulgado comentário em que apostava em derrota da presidente no segundo turno.

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