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Sem progresso » Negociação entre UE e Mercosul não avança este ano

Agência Estado

Publicação: 04/07/2014 08:59 Atualização:

A esperada abertura de negociações entre União Europeia e Mercosul entrará na lista de mais um dos assuntos inacabados do bloco sul-americano. A combinação das eleições no Brasil, a troca de comando na Comissão Europeia e uma Argentina em crise tornou a negociação, já difícil para este ano, impossível.

Fontes dos dois lados ouvidas pelo jornal O Estado de S.Paulo confirmam que dificilmente haverá avanço este ano. O prazo acertado para troca de ofertas era junho mas, apesar das promessas do Brasil de que o Mercosul teria o que entregar aos europeus, a dura negociação com o governo de Cristina Kirchner impediu uma oferta coesa dos quatro países do bloco - Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. A Venezuela, por ter entrado apenas em 2013 no bloco, ficou fora do acordo inicial.

A primeira promessa é de que a troca de ofertas ocorreria em janeiro. Um pedido da União Europeia adiou o processo. À época, o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, garantiu que o Mercosul estaria pronto e a falta de data era culpa exclusiva dos europeus. No entanto, até agora o bloco não conseguiu fechar sua oferta e o limite de junho chegou e passou sem que fossem acertados os detalhes para negociar com a UE.

O bloco tem dificuldades de atingir a inclusão de 90% dos produtos da região na lista dos que poderiam ter suas tarifas liberadas. Também há dificuldades de se acertar o prazo de desgravação tarifária. Os europeus querem 10 anos, a Argentina 15, os outros sócios do Mercosul preferem 12. Com isso, cresceu a ideia de se apresentar ofertas separadas, com ritmos próprios - o que não agrada aos argentinos, que perderiam força na negociação.

Para 2015

Todas essas questões, porém, devem ficar mesmo para 2015. Neste momento, dificilmente o bloco tem como negociar com um dos seus membros à beira de um calote internacional. Enquanto a Argentina briga com os fundos holdout e com a Justiça americana, que exige o pagamento integral das dívidas do país, o governo tem cada vez menos condições de sustentar suas reservas. Negociar uma abertura comercial, mesmo que para daqui a 10 ou 15 anos, não parece interessante.

Diplomatas da União Europeia no Brasil afirmam que a Europa estaria pronta para apresentar sua proposta. Há dúvidas se os europeus estão mesmo prontos e se mantêm o interesse demonstrado no início das negociações. Ainda assim, presidentes europeus ainda defendem o acordo.

Há três semanas, a chanceler alemã Angela Merkel, em visita ao Brasil, fez questão de dizer que os alemães querem a associação com o Mercosul. No dia 18, a presidente Dilma recebe o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, que, além de vir se despedir - ele deixa o cargo neste ano -, planeja ainda tentar dar um gás à negociação.

Um dos maiores defensores do acordo, Durão Barroso gostaria de deixar o cargo com a glória de, pelo menos, ter reiniciado as conversas de um processo abandonado desde 2006.

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