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Negócios » Vale oferece desconto na venda de minério de ferro para a China

Agência O Globo

Publicação: 27/06/2014 08:43 Atualização:

Com o objetivo de aumentar as vendas para a China e de olho nos concorrentes, a Vale começou a oferecer descontos na venda do seu minério para as siderúrgicas chinesas. A redução - que pode chegar a US$ 2,50 por tonelada, segundo a agência Reuters - ocorre em um momento em que a cotação do minério acumula queda de 30% no ano. De acordo com analistas, a redução nos preços da commodity vai afetar em cheio os ganhos da Vale no segundo trimestre deste ano. A expectativa é que o lucro líquido possa ter uma redução de R$ 1 bilhão no período.

A concessão de descontos dada pela Vale segue os passos de empresas australianas, como Rio Tinto e Fortescue Metals Group. A China responde por cerca de dois terços das compras de minério de ferro no mercado internacional e sua economia está crescendo menos. Mesmo assim, nos primeiros cinco meses de 2014, as importações do gigante asiático subiram 19% para 382,7 milhões de toneladas. Mas as vendas da Austrália saltaram 34%, enquanto as do Brasil tiveram alta de apenas 10%.

Analistas lembram ainda que houve uma mudança na forma de calcular o preço do minério. A Vale passou a levar em consideração a cotação do minério no momento da entrega da mercadoria. Antes, dizem eles, a mineradora se baseava no preço fixado durante a venda. Ou seja, na prática, se o preço cai, o valor que entra no caixa da empresa também fica menor. Essa mudança nos contratos da mineradora, segundo analistas, serviu para atender principalmente clientes chineses que vinham reclamando da diferença de preços no momento da entrega do minério. Também foi uma forma de evitar cancelamento de pedidos. Para se ter uma ideia, no final do ano passado, a tonelada do minério estava valendo US$ 135. Ontem, fechou a US$ 95,30, alta de 1,7% em relação ao dia anterior.

A corretora mexicana GBM estima que, com a tonelada do minério custando US$ 90, a margem de lucro da Vale (antes do pagamento de juros, impostos depreciação e amortização) cairia para 36%. Para se ter uma idéia, com o preço do minério a US$ 110, a margem de lucro seria de 43%.

Mariana Bertone, analista da corretora da GBM, prevê que os preços devem se recuperar e atingir níveis mais favoráveis para a mineradora, mas afimra que não há um prazo definido para que isto aconteça.

A razão é que os estoques de minério de ferro na China, a maior consumidora global do produto, estão acima de 100 milhões de toneladas, frente a uma média de 70 milhões em junho do ano passado. A combinação de um estoque crescente e oferta elevada é que tem jogado os preços do minério para baixo.

Os analistas lembram ainda que a Vale tem programado para este ano um volume elevado de investimentos, o que também pressiona o caixa da empresa. Este ano, de acordo com a companhia, serão investidos US$ 14,8 bilhões em novos projetos e manutenção das operações existentes.

Para Pedro Galdi, da SLW Corretora, o cenário se mantém incerto para a normalização dos preços de minério, o que terá um impacto para a Vale na divulgação de seus próximos resultados:

“A Vale sofre não só pela queda do preço do minério de ferro, mas pela incerteza sobre a tendência para os próximos meses. Em algum momento, o valor do minério de ferro vai se recuperar, mas esse movimento acaba sendo muito dependente dos ciclos da economia chinesa.”

A queda de preço no minério de ferro já era esperada desde o ano passado pelos especialistas, já que a desaceleração da economia chinesa estava no radar. Além disso, também estava prevista a maior oferta do produto globalmente, com o aumento da produção por parte das mineradoras australianas. Mas a expectativa desses mesmos especialistas era de que o preço não caísse a menos de US$ 100.

“A receita será afetada mesmo que não tenha ocorrido uma queda nos volumes vendidos”, explicou Daniela Ribeiro, analistas da corretora Concórdia. Ela projeta um lucro de R$ 5,8 bilhões para a Vale no segundo trimestre. Em igual período do ano passado, o lucro foi de R$ 6,9 bilhões.

Vale diz que não muda planos de investimento

Procurada, a Vale não se manifestou sobre qual será o impacto do barateamento do minério de ferro em suas contas. Mas reiterou as declarações do diretor executivo de ferrosos, José Carlos Martins, feitas durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre, em 30 de abril. Na ocasião, o executivo afirmou que a política de preços era confortável.

"A nossa política sempre foi de vender o que produzimos e os nossos planos estão estruturados dentro de uma previsão de preço de minério que é bastante confortável. Então, não temos nenhuma intenção de interromper nossos planos de investimentos em função de um eventual mercado mais fraco. Quem tem que ficar preocupado com isso são os produtores de custo mais alto, não é a Vale", disse, na ocasião.

Números

2,50 dólares é o desconto que a Vale começou a oferecer em algumas entregas de minério para a China

95,30 dólares - foi a cotação da tonelada do minério de ferro no fechamento dos mercados ontem

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