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Mercado » Em cinco anos de Bolsa, ações da Cielo se valorizam 250%

Agência Estado

Publicação: 25/06/2014 09:34 Atualização:

Cinco anos após ter estreado na bolsa, a Cielo, que faz a captura de transações com cartões de crédito e débito, é hoje considerada a “queridinha” do setor de serviços financeiros no mercado de capitais. O valor de mercado da companhia, que tem acionistas de peso como Bradesco e Banco do Brasil, saltou de cerca de R$ 20 bilhões para R$ 70 bilhões, uma expansão de 250% desde junho de 2009.

Nesse período, a empresa viu surgir novos concorrentes, acompanhou uma grande mudança no setor, com o fim da exclusividade das bandeiras de cartão de crédito, e ainda assim manteve sua participação de mercado, de 55%. Em suas máquinas (POS, na sigla em inglês) passaram R$ 450 bilhões no ano passado em transações com cartões de débito e crédito e R$ 120 bilhões somente no primeiro trimestre de 2014.

Para blindar a concorrência, a estratégia da Cielo é oferecer aos lojistas uma oferta combinada de produtos e serviços. “A máquina da Cielo não é só para passar cartão de débito e crédito. É para prestar serviços aos lojistas”, diz Rômulo de Mello Dias, presidente da Cielo, em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

Neste ano, as ações da empresa já subiram quase 40% contra alta de pouco mais de 6% do Ibovespa. Se considerados os últimos 12 meses, a valorização é de cerca de 75%. O papel da Cielo é acompanhado por 20 analistas, sendo que oito recomendam compra, enquanto apenas uma casa sugere a venda e os demais “manutenção” das ações.

Para Francisco Kops, analista do Safra, o desempenho da companhia na bolsa reflete a “rara” combinação de crescimento forte dos lucros com uma boa distribuição de dividendos. Amanhã, a empresa completa cinco anos de listagem em bolsa. Nesse período, ela distribuiu mais de R$ 8 bilhões aos seus acionistas. Só no ano passado, a Cielo pagou 70% do seu lucro líquido, que ficou próximo dos R$ 2,7 bilhões, montante quase 15% maior que o de 2012.

Apesar de um cenário macroeconômico desafiador, de baixo crescimento da economia e da oferta de crédito, Frederic De Mariz, analista do UBS, acredita que a companhia deve apresentar crescimento de 20% em média do seu lucro por ação (EPS, na sigla em inglês) em 2014. Para os volumes capturados com cartões de crédito e débito, o especialista projeta expansão média de 16% ao ano.

Conjuntura

Apesar do desempenho da macroeconomia, principalmente ligado ao consumo, o presidente da Cielo vê grandes oportunidades na substituição de cheque e dinheiro pelo uso dos cartões no País. Há ainda o impulso vindo de áreas que ainda não aceitam cartões em larga escala como meio de pagamento, a exemplo dos setores de educação e saúde.

“A desaceleração do crédito preocupa mais que o PIB. Precisamos de crédito para que as pessoas possam se financiar e fazer suas compras”, avalia o presidente da Cielo. No entanto, a empresa se diz “confiante” e afirma que a piora na percepção da economia brasileira não terá impacto sobre seus investimentos. Neste ano, a Cielo espera desembolsar meio bilhão de reais - boa parte para a compra de máquinas.

Mesmo no posto de líder do mercado de captura de transações com cartão, a Cielo tem um mantra: “não subestimar a concorrência”. Não é para menos. No setor, atuam os grandes bancos de varejo no Brasil. Enquanto do lado da Cielo estão BB e Bradesco, como acionistas, do lado da Rede está o Itaú Unibanco. Já o espanhol Santander adquiriu recentemente a gaúcha GetNet e mira fatia de 15% a 20% neste segmento.

Considerando apenas as três marcas, a fatia da Cielo está em cerca de 55% contra 57% há cinco anos. Há ainda a ofensiva do Banrisul que pretende abocanhar fatia de 5% com a Vero. Quem também quer ganhar musculatura no segmento é a Elavon, com o Citibank, que mira participação de 8% em três anos; a Stone, do Banco Pan (ex-Panamericano) e BTG Pactual, e a Global Payments com o Banco de Brasília.

O foco da Cielo, segundo o executivo, é crescimento orgânico daqui para frente. Nos últimos cinco anos, a empresa comprou a M4U, do segmento de mobile, a Braspag, de e-commerce, e a Merchant e-Solutions (Mes). Também criou a empresa de pagamentos móveis Paggo, que é uma joint venture com a operadora Oi.



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