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Finanças » Fundo de previdência ganha com Selic alta

Correio Braziliense

Publicação: 23/06/2014 08:49 Atualização:

Os aumentos sucessivos da taxa básica de juros (Selic) a partir do meio do ano passado fizeram do atual momento econômico uma boa oportunidade para quem pretende investir em um plano de previdência complementar. Como boa parte dos fundos tem percentual elevado de investimentos em títulos de renda fixa, mais conservadores, a Selic em patamares elevados torna os rendimentos mais atrativos para quem pretende buscar garantias no futuro.

Tanto que, em 2013, quando os juros voltaram a subir após atingirem o menor patamar da história, em outubro de 2012, a carteira de investimentos desse tipo saltou 10,54%, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). O número de depósitos aumentou 4,56%. O professor e ex-secretário de Previdência Complementar José Roberto Savoia explica que, em tempos de juros altos, é comum que os investidores deixem de lado os fundos de maior risco, ou seja, as opções que aplicam um grande percentual do dinheiro em ações de empresas listadas em bolsas de valores.

“A experiência mostra que o investidor brasileiro fica relativamente satisfeito com o retorno que está tendo e deixa um pouco de lado os ativos de risco. E a atual taxa básica de juros é bastante interessante”, afirma. Savoia alerta, no entanto, que, nesses momentos de Selic alta, algumas instituições aproveitam para aumentar taxas. “O que passa a ser mais significativo é a comparação entre a taxa administrativa e o rendimento nominal. O investidor tem sempre de comparar as taxas entre as diversas instituições e, se necessário, fazer portabilidade para outro fundo”, completa.

Opções

A pesquisa, aliás, deve ir além das taxas. É importante analisar todas as possibilidades de investimento: Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), fundos fechados oferecidos por empresas e sindicatos, a forma de tributação, modelos mais conservadores ou com maior risco (leia quadro acima). “A partir do momento em que você decidiu fazer a previdência, vira um investimento como qualquer outro. Você tem que decidir o portifólio em que vai investir”, explica o diretor de Gestão de Recursos da Ativa Corretora, Arnaldo Curvello.

Para o especialista, por ser um investimento de longo prazo, o ideal é optar por modelos mais conservadores. “Particularmente, acho que previdência é um investimento conservador. Não é lugar para ter riscos”, diz. “Se você está achando que o mercado de renda variável vai melhorar, a nossa dica é fazer isso fora da previdência”, completa.

O especialista em finanças pessoais Silvio Paixão, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), explica que o investidor tem que considerar os objetivos que o levam a poupar. Os fundos de previdência são indicados para quem não precisa do dinheiro rápido. “Qual o motivo da previdência? É para a aposentadoria? É para a compra de um bem, como uma casa ou o pagamento de um curso superior? Então, tem que ser um investimento de longo prazo. Senão, a pessoa pode perder os benefícios tributários. Longo prazo é, de preferência, acima de 10 anos, porque você entra nas tabelas de regressão do Imposto de Renda”, explica.

O investidor pode escolher, no momento da contratação, a forma de tributação que vai incidir sobre a aplicação. No modelo regressivo, as alíquotas variam entre 15% e 27,5%, tal qual a tabela do IR. Na forma progressiva, o imposto vai diminuindo gradualmente: começa com 35% e cai cinco pontos percentuais a cada dois, até chegar em 10%.

Abatimento

As formas de dedução também variam de acordo com o modelo escolhido, bem como o montante sobre qual incide o tributo. O PGBL, por exemplo, permite um abatimento de 12% do total dedutível no IR. Ele é indicado para pessoas que optam pelo modelo completo de contribuição. “Nesse modelo, você posterga o pagamento do imposto. Quando resgatar a Previdência, vai ser cobrado desse tributo. Mas o imposto é regressivo. Se você pagaria 27,5% hoje, você pode pagar 10% daqui a 10 anos”, explica Curvello, da Ativa Corretora.

Já o VGBL não permite deduções, mas a vantagem é que o tributo incide apenas sobre os ganhos do investimento e não sobre todo o montante, como no PGBL. “O VGBL também permite optar pela tabela regressiva, mas o imposto incide apenas sobre o rendimento. O VGBL é como se fosse um investimento normal, é como se você tivesse poupando. Como ele é um seguro, não entra no inventário e tem um resgate mais rápido” completa Curvello.

Se o objetivo do investimento for em longo prazo, inclusive, a previdência complementar pode valer mais a pena do que investir diretamente em um título de renda fixa. “A NTNB (Nota do Tesouro Nacional, papel público vinculado à inflação) tem imposto de 15%. A previdência complementar tem imposto de 10% se o investimento for de 10 anos ou mais, considerando o sistema regressivo de tributação”, observa Paixão, da Fipecafi.

“Outro ponto é que NTNB tem pouca liquidez. Para garantir que você não vai perder o dinheiro, terá que esperar para o vencimento do papel. Por exemplo, se você comprar uma NTNB de 10 anos, terá que esperar os 10 anos para resgatar esse título para garantir o rendimento, senão ficará sujeito às condições de mercado. Já o plano de previdência não tem esse problema”, diz. O educador financeiro Reinaldo Domingos pondera, contudo, que, apesar de os juros altos representarem um momento oportuno para esse tipo de investimento, aplicar em fundos de previdência não é comum aos brasileiros. “Os juros altos têm impacto mais de fazer deixar de gastar do que investir em uma previdência ou poupança”, diz.

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