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Dívida » Compra parcelada no cartão de crédito sobe 16,5% em 12 meses

Correio Braziliense

Publicação: 21/06/2014 08:35 Atualização:

Fazer compra parcelada em 10 vezes sem juros no cartão de crédito é o sonho – e também o pesadelo – de muitos brasileiros. Que o diga a funcionária pública Cláudia Caldas. Ela já teve todas as bandeiras de cartões na carteira e era só ir ao shopping para sair comprando: um sapato aqui, uma bolsa ali, um vestido… Quando se deu conta, a fatura de um dos cartões bateu em R$ 7,2 mil e a do outro, R$ 6,8 mil. E ela viu a dívida virar uma bola de neve, mesmo nunca tendo pago o valor mínimo da fatura. Teve que negociar com a administradora o pagamento em 24 prestações. Essa é uma experiência que Cláudia não pretende repetir nunca mais. “Não consegui administrar minhas contas. Por mais que tenham programas de auxílio, comigo eles nunca funcionaram”, lamenta.

O descontrole financeiro independe de classe social. O fato é que, empolgados com o aumento de renda e a facilidade de financiamento, muitos brasileiros gastaram mais do que podiam. Se confundiram e, sem fazer contas, acumularam parcelas, que individualmente cabiam no bolso, mas que somadas estouravam o orçamento. Dados do Banco Central comprovam tal prática. Nos últimos 12 meses, houve crescimento de 16,5% das compras parceladas com cartão de crédito, enquanto a alta nas aquisições à vista foi de 14,8% e nas rotativas, de 10,9%. A dívida total dos brasileiros nas três modalidades cresceu 14,1%, atingindo R$ 141,33 milhões.

A vendedora Dejane Rodrigues, há três anos, se enrolou. Fez diversas compras parceladas e acabou estourando o limite do cartão de R$ 500. Assustada, recorreu à administradora para negociar. O bancário Sergio Antunes foi mais drástico, desistiu de usar o cartão de crédito depois que foi obrigado a parcelar o gasto na administradora, no início do ano passado. Agora, paga tudo à vista.

Tanto Claudia como Dejane e Sergio acreditam que o melhor tratamento contra o consumismo é ter que pagar os juros cobrados pelas operadoras. Isso, é claro, quando se toma conhecimento desse valor. A taxa média no crédito rotativo dos cartões de crédito chega a cerca de 10% ao mês, ou seja, mais de 200% ao ano.

SEM ESTOURO Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) revelou que 69% dos brasileiros dividem as compras com cartão de crédito sem juros. O dentista Roberto Rosa faz parte dessa estatística. Ele parcela tudo, mas nunca estourou o limite e paga religiosamente o valor integral da fatura do cartão. Roberto considera uma grande vantagem o parcelamento no cartão, se a pessoa souber calcular as despesas dentro do orçamento.

O fato é que a facilidade que o dinheiro de plástico traz e a sensação de realizar um sonho faz com que o valor movimentado por cartões de crédito no país bata recordes ano após ano. Segundo a Abecs, as compras por esse meio já representam metade dos gastos mensais da população. O número de cartões em posse de brasileiros cresceu de 68%, em 2008, para 76%, no ano passado. No primeiro trimestre, houve um crescimento no valor movimentado de 15,2% em relação a igual período de 2013. Foram 1,13 bilhão de transações no período, com um tíquete médio de R$ 125,20.

De acordo com a pesquisa da Abecs, 85% dos usuários de cartões de crédito pagaram o valor integral da sua última fatura e 88% pretendem fazer o mesmo no próximo vencimento.

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