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Rede 4G » Operadoras de telefonia móvel sofrem com péssimos resultados

Agência O Globo

Publicação: 18/06/2014 09:23 Atualização:

Pouco mais de um ano após o lançamento da rede 4G no Brasil, as operadoras de telefonia móvel vêm sofrendo com um resultado aquém das expectativas. Em maio, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o país somava 2,83 milhões de acessos 4G, cerca de 2,28% dos 123,6 milhões de acessos de banda larga móvel. Na tentativa de elevar esses números, as companhias estão fazendo de tudo para atrair clientes: aumentaram os descontos nos aparelhos, baixaram preços dos planos pós-pagos, aumentaram a franquia mensal de dados e criaram ofertas especiais para usuários pré-pagos.

As próprias empresas de telefonia admitem que os números poderiam ser maiores não fosse o ainda alto preço dos smartphones no país - em média, os aparelhos saem a R$ 2 mil. Com 114 municípios atendidos pela rede 4G, diz a consultoria Teleco, ampliar a cobertura aparece como desafio adicional, num momento em que as empresas de telefonia tentam elevar a geração de caixa com a desaceleração da economia e o elevado nível de endividamento, ressaltam especialistas.

Comparado a outros países, o Brasil ainda patina quando o assunto é 4G. Dados da 4G Americas, associação do setor, indicam que, em maio, a América Latina somava 40 operadoras com ofertas de LTE (como é chamada a rede 4G) e 3,6 milhões de clientes - menos de 1% do total no mundo. Os números colocam a região na frente apenas da África, com 23 empresas e 1,9 milhão de usuários, e Oriente Médio, onde há 19 companhias e 2,9 milhões de clientes. E longe da Europa, com 39,8 milhões de conexões entre 115 operadoras, da Ásia, onde há 54 empresas e 103,6 milhões de usuários, e de Estados Unidos e Canadá, com 49 companhias e 125,8 milhões de clientes.

Para Georgia Jordan, analista da consultoria Frost & Sullivan, a evolução do 4G será gradual. Isso porque, diz, o brasileiro ainda está migrando do 2G para o 3G. Segundo a Anatel, a rede de segunda geração soma 52% dos 275,4 milhões de usuários no país. Já a terceira geração responde por 43,8% da base.

“No Brasil, muitos usuários ainda estão usando internet no celular pela primeira vez, e o 4G ainda é premium. É preciso ter ainda mais fabricantes de aparelhos”, disse Georgia.

Roger Solé, diretor de Marketing da TIM, admite que os números de 4G no Brasil são moderados, principalmente, por conta do alto preço dos aparelhos. Por isso, a empresa vem trabalhando para baixar os valores dos celulares, aumentando a negociação com fornecedores. Ao mesmo tempo, prepara o lançamento de oferta de 4G para a base pré-paga.

“Estamos trabalhando em termos de inovação de preços. O cliente 4G, hoje, paga o mesmo preço do 3G para usar a internet”, disse Solé.

A Claro, que oferece 4G para a sua base pré-paga, vem investindo na ampliação do portfólio de aparelhos. Hoje, já são 30, o dobro de 2013. Além disso, aumentou o subsídio dos celulares nos planos pós-pagos: em pacotes de R$ 159 por mês, o smartphone chega a sair de graça.

“Decidimos que o preço da franquia de dados é o mesmo para o 3G e o 4G. Não queremos cobrar a mais por uma internet de alta velocidade. Foi uma estratégia nossa. O brasileiro procura tecnologia. Os números (do 4G no Brasil) poderiam ser maiores e vão ser maiores”, afirmou Gabriela Derenne, diretora da empresa no Rio e Espírito Santo.

Em um ano, preço do aparelho caiu para R$ 699

Líder do setor, a Vivo ainda aproveitou o clima de Copa do Mundo para lançar novos planos para o seu 4G. No caso do modem, decidiu oferecer o dobro da franquia para os usuários por um ano como forma de "incentivar o uso e estimular a migração do 3G", diz Christian Gebara, diretor-executivo de Mercado Individual da Telefônica Vivo. A empresa, que oferece planos a partir de R$ 149 por mês e conta com mais de 30 aparelhos, decidiu conceder 25% de desconto para clientes que vêm de outras operadoras em alguns tipos de serviços.

“Há muitos desafios ainda no país. É preciso ter mais aparelhos 4G e preços menores. Quando isso ocorrer, vamos ter um 4G mais massificado. Esse ano ainda vamos incluir a base pré-paga dentro da internet 4G”, ressaltou Gebara.

Roberto Guenzburger, diretor de Produtos Móveis da Oi, lembrou que, em um ano, o preço de um aparelho 4G chegou a R$ 699. No 3G, o prazo para que isso ocorresse foi de três anos. Mas o executivo disse que, neste primeiro ano, o preço elevado dos telefones impediu que a tecnologia deslanchasse:

“Mas não precisa pagar um preço premium. Antes, os planos 4G envolviam pacotes com franquias maiores. Agora, para a Copa, passamos a oferecer para franquias de 500 MB, nas quais o cliente ganha 5 GB para navegar na web (por R$ 29). É a primeira grande oferta para popularizar o 4G. Pretendemos levar o 4G para os pré-pagos.”

Nextel lança 4G no Rio

A disputa entre as teles deve ganhar mais intensidade com o lançamento da rede 4G da Nextel no Rio, que ocorreu no início da semana. George Dolce, vice-presidente e Marketing e Comercial da empresa, diz que o 4G ainda é uma promessa no país. Para ele, os fatores são a cobertura limitada e os preços altos. Na tentativa de atrair novos clientes, a empresa, que pretende expandir sua cobertura a outras cidades do Rio nos próximos meses, decidiu oferecer até ligação de graça para todas as operadoras num plano que sai a R$ 129,99 com franquia de 4 GB:

“Todos estão investindo em 4G. O lançamento do 4G é mais um passo da Nextel para competir no mercado de telefonia e oferecer aos clientes serviços completos. Elaboramos planos com preços que vão ao encontro da demanda dos consumidores que utilizam cada vez mais seus smartphones.”

O publicitário e DJ André Quelhas pagou R$ 1,8 mil pelo celular 4G. Apesar de caro, disse que a velocidade rápida compensa.

“Comecei a usar a rede 4G há três meses. É como se estivesse na internet fixa de casa. Quando estou na rede 4G, a qualidade da velocidade é boa.”

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