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Consumo » Para Sicredi, varejo em abril sentiu o peso da inflação

Agência Estado

Publicação: 12/06/2014 15:43 Atualização:

O resultado das vendas no varejo no mês de abril ficou abaixo do esperado e tem como entre os fatores principais a inflação ainda elevada que marcou período e um desempenho menos favorável da massa salarial no País. A avaliação é do economista Pedro Ramos, do Banco Sicredi, que não demonstrou esperança de que haja alguma reação do setor em maio, quando o cenário não deve ser tão diferente.

Nesta quinta-feira (12), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no comércio varejista caíram 0,4% em abril ante março, na série com ajuste sazonal. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam desde uma queda de 1 75% a uma alta de 1,00%, com mediana negativa de 0,10%. Na comparação com abril do ano passado, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta 6,7% em abril deste ano ante previsões de expansão de 0,10% a 9,10%, com mediana de 6,65%.

Ramos, que trabalhava com a expectativa de uma elevação no varejo de 0,10% na margem, chamou atenção para o comportamento de dois segmentos importantes do varejo, o de Hipermercados e Supermercados e o de Combustíveis, que tiveram baixas em abril ante março, de 1,4% e de 0,8%, respectivamente. Segundo ele, são duas partes que retratam bem cenário recente.

"Tiveram quedas expressivas e que não foram pontuais", comentou, lembrando que o segmento de Hipermercados e Supermercados registraram o terceiro mês consecutivo de retração. "Isso sugere por exemplo, que embora ainda possamos ver um crescimento na massa salarial real da economia, ele está num patamar baixo, se compararmos com o que olhávamos anteriormente. Outro fator é a questão da inflação, já que vimos uma pressão maior dos preços justamente naquela janela entra março e abril", lembrou.

Questionado sobre se os feriados de abril, como a Páscoa e o Dia de Tiradentes, tiveram grande influência no comportamento do varejo, o economista do Sicredi disse que, apesar do número de dias úteis menores do mês, o resultado poderia até ter sido pior. Tudo porque a Páscoa traz um apelo comercial importante que pode ter impedido um desempenho menos favorável do setor.

Para maio, Ramos não trabalha com a possibilidade de grande mudança nas vendas no varejo. No caso da inflação, por exemplo, ele lembrou que alguns dos fatores que aliviaram os índices foram pontuais, como o comportamento de passagens aéreas e o efeito do desconto das tarifas de água em São Paulo. "Acredito que o mês de maio não deve apresentar melhora", comentou. "Não temos ainda os dados de emprego do período, mas, provavelmente, deveremos continuar vendo o salário real crescendo muito pouco ou até ficando negativo. Por isso, esse quadro (de fraqueza nas vendas) deve permanecer", opinou.

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