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Economia » Indústria e comércio temem o fim de ano

Correio Braziliense

Publicação: 12/06/2014 08:35 Atualização:

O pessimismo de empresários e de consumidores deverá deixar o Natal mais caro este ano. Diante da queda nas vendas e das expectativas pouco animadoras para o crescimento econômico ao longo de 2014, comércio e indústria já começaram a reduzir as encomendas que fariam para o fim de ano. É a partir de junho e julho que fretes internacionais são contratados para trazer ao país produtos e peças. E, com a oferta menor desses itens, os preços tendem a subir, batendo no bolso do consumidor final.

Para atender à demanda extra do segundo semestre, as transportadoras marítimas costumam elevar em até 20% a capacidade de carga para o período de julho a setembro. Mas, em 2014, além de não se requerer um navio a mais para atender as encomendas natalinas, essas empresas receiam subutilizar a frota. Uma das gigantes do setor, a dinamarquesa Maersk Line, por exemplo, está com 15% de ociosidade nas embarcações que servem ao Brasil.

Parte significativa dessa queda nas encomendas, dizem os especialistas, se deve às tensões provocadas pelas greves de trabalhadores às vésperas da Copa do Mundo e ao temor de executivos de que protestos violentos nas capitais nos dias de jogos possam prejudicar ainda mais as vendas do varejo. “As greves e manifestações afetam negativamente a confiança dos nossos clientes. Com isso, eles acabam realizando menos encomendas de cargas”, informou o chefe de vendas da Maersk Line Brasil, Mario Veraldo.

Ele conta que a multinacional teve de fazer uma escolha entre apostar numa reviravolta da demanda da clientela brasileira ou deslocar parte da frota para mercados mais rentáveis. Ficaram com a segunda opção. “A greve gera instabilidade, porque dificulta prever o que vai ocorrer no futuro. Para quem trabalha com planejamento para muitos meses, isso é muito ruim. Temos que fazer opções. A nossa, neste momento, foi de proteger nossos ativos”, explicou.

Mesmo se a economia se acelerar nos próximos meses, não haverá mais tempo hábil para atender à demanda ainda não conhecida. “Se a situação melhorar, essa demanda ficará reprimida”, lamentou. O fraco desempenho do consumo interno reflete os números frustrantes do varejo. Em 2013, as vendas cresceram 4,3%, o menor desempenho em 10 anos.

Neste ano, os resultados têm sido igualmente frustrantes. O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, aposta em nova desaceleração do comércio. “Ainda estamos falando em expansão das vendas, mas a um ritmo bem inferior ao que tínhamos anos atrás, quando o setor crescia a taxas acima de 10%”, disse.

Em pior situação está a indústria. Os pátios abarrotados de carros denunciam os estoques elevados das montadoras, que, diante das quedas nas vendas, passaram a dar férias coletivas. Mas não é só a indústria automobilística que enfrenta problemas. Os setores têxtil, calçadista e de máquinas e equipamentos também têm estoques elevados. “A atividade está fraca, mostrando que a demanda interna começa a dar sinais de enfraquecimento”, observou Rosa.

Uma prova disso está no consumo das famílias, até então o maior motor do crescimento econômico, que encolheu 0,1% no primeiro trimestre do ano.

Para especialistas, foi o prenúncio de que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano poderá ser ainda menor do que em 2013. “Ainda pior do que um número baixo é a trajetória declinante  da economia. Nos últimos trimestres, o PIB está oscilando próximo a zero”, emendou o economista-chefe da gestora de recursos INVX Global, Eduardo Velho.

Ele teme ainda os efeitos negativos da inflação. Faz quatro anos seguidos que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o parâmetro oficial do custo de vida, avança sempre acima do centro da meta de inflação, de 4,5% ao ano.

Retração

Com números tão ruins, os empresários se retraíram. “Todo mundo tinha uma expectativa muito positiva para o primeiro trimestre do ano, por conta da Copa, e também pelas projeções melhores para as exportações. Mas acabou ocorrendo justamente o contrário, e, em vez de subirem, a gente acabou vendo uma redução significativa dos níveis de frete”, sublinhou Veraldo.

Fernando Montero, economista-chefe da Tullett Prebon, traça um cenário preocupante para o segundo trimestre, que, para ele, dá sinais mais claros de estagnação. Nas contas dele, há uma chance “não desprezível” de que o PIB se retraia na comparação com os primeiros meses do ano.

É justamente por conta disso que as transportadoras de cargas preveem cenário mais preocupante para o segundo semestre do ano. Veraldo sublinhou que o risco de racionamento elétrico poderá afetar drasticamente a produção interna, reduzindo exportações e, consequentemente, a necessidade de navios de carga.

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