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Outras alternativas » Custo elevado do gás natural atrapalha empresas estrangeiras no Brasil

Agência O Globo

Publicação: 09/06/2014 09:00 Atualização: 09/06/2014 09:56

Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press/Arquivo
Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press/Arquivo
Essencial para boa parte das cadeias produtivas, o preço do gás é determinante para assegurar o futuro da indústria de um país. A redução no custo de produção dessa fonte de energia - que em alguns casos serve também como insumo - tem ajudado a atrair investimentos e a transformar a economia dos Estados Unidos, beneficiando inclusive os países vizinhos. O problema é que empresas que atuam no Brasil começam a fazer as contas e já estudam alternativas de locais onde se pode gastar menos para produzir.

A diferença de valores é grande. No Brasil, o custo médio do gás natural está em torno de US$ 14 por milhão de BTU (unidade internacional do gás). Já nos Estados Unidos e México, o preço cai para US$ 4, motivado pela exploração do gás não convencional (shale gas). Além do custo, a questão da disponibilidade também tem preocupado empresários, uma vez que não há garantia de quanto do gás natural produzido pelo pré-sal será destinado ao uso industrial.

Para o presidente do Grupo Saint Gobain no Brasil, Benoit d'Iribarne, esses fatores, levados em conta na hora de decidir sobre um investimento, podem atrapalhar os planos de expansão da companhia no Brasil, que utiliza gás em suas atividades, como a produção de vidro.

“O abastecimento de gás pode ser um problema. É um insumo essencial à Saint Gobain. Nossa preocupação não é só a disponibilidade, mas também a competitividade do preço desse insumo energético essencial”, afirmou d'Iribarne ao comentar a diferença dos preços.

Esses dois fatores também são apontados por Marco Tavares, diretor da consultoria Gas Energy, como determinantes para afastar investimentos que dependam do gás, em especial na área química. Para ele, a discussão hoje está em torno da questão energética, ou seja, o quanto do gás produzido no país pode ajudar a abastecer as termelétricas:

“Estamos preocupado com o abastecimento das termelétricas com gás a curto prazo e não estruturamos uma política de longo prazo para esse insumo. É uma falha de planejamento.”

Nessa indecisão sobre a disponibilidade e preço do gás, um dos casos mais emblemáticos é o da Braskem. A maior empresa química do país, controlada pelo Grupo Odebrecht, tem investido mais no exterior do que no Brasil. Um exemplo é a construção de uma fábrica no México, que deverá entrar em funcionamento no ano que vem.

Há também planos para operar uma unidade química nos Estados Unidos. Enquanto faz esse planos, a empresa não toma uma decisão sobre a participação no Comperj por faltar definição de preço por parte da Petrobras.

No mês passado, em teleconferência com analistas, o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, lembrou que o México tem um baixo custo para a produção de manufaturas devido a câmbio, custo da mão de obra e preço de energia. Para a Braskem, o país tem matéria-prima para o crescimento da empresa, que utiliza eteno na produção de polietileno (base da indústria de plásticos).

"Vemos esses fatores tendo peso importante no que está acontecendo na indústria petroquímica do mundo, seja pelo crescimento no México e dos Estados Unidos, seja pelas dificuldades de viabilizar projetos no Brasil", afirmou a empresa em nota.

Na opinião de Paulo Pedrosa, presidente-executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace), o investimento poderia ser maior no país se o preço do gás caísse. Estudo feito pela Fipe mostra que, caso o preço caia à metade, o investimento pode crescer em mais de R$ 130 bilhões a longo prazo.

“A indústria química no país antes era um potencial. Agora se tem o risco de perder a base. Isso propaga a perda de competitividade no país”, diz Pedrosa.

Segundo a Abrace, a produção de gás vai dobrar até 2020, chegando a 180 milhões de metros cúbicos. No entanto, não se tem certeza de quanto disso irá para a indústria, diz Pedrosa. Para ele, o custo de produção caiu tanto no México e nos EUA que já compensa mais produzir nesses países e exportar para o Brasil, mesmo com o custo do frete. Sem competitividade, ele lembra de fábricas que fecharam, como a GPC, que encerrou a unidade de metanol do Rio de Janeiro.

Já a Abiquim, associação das indústrias químicas, afirma que essas dificuldades têm feito com que os investimentos se mantenham em US$ 4 bilhões por ano, basicamente para a manutenção das unidades existentes. Há dois anos, a expectativa era que o número fosse quatro vezes maior. A diretora da associação, Fátima Ferreira, reconhece que hoje, para uma empresa, as melhores condições de investimento na área química estão nos EUA:

“Se eu sou uma indústria brasileira, hoje os Estados Unidos são um lugar maravilhoso, têm tudo.”

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