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Europa » BCE anuncia taxas negativas para estimular o crescimento na zona do euro

AFP - Agence France-Presse

Publicação: 06/06/2014 15:52 Atualização: 06/06/2014 20:23

O Banco Central Europeu anunciou nesta quinta-feira um pacote de medidas sem precedentes, que inclui taxas de juros negativas, para prevenir o risco de deflação na zona do euro. O presidente do BCE, Mario Draghi, insistiu que os 18 países da zona do euro ainda não se encontram sob iminência da deflação, uma potencial espiral de queda de preços. Mas a medida é considerada necessária para enfrentar as dificuldades de empréstimos na região, argumentou Draghi.

O BCE, então, decidiu pela primeira vez conduzir uma de suas taxas para o campo negativo. O BCE baixou todas as suas principais taxas: a taxa básica de juros foi reduzida de 0,25% para 0,15% enquanto a taxa marginal de empréstimos caiu de 0,75% para 0,40%. Já a taxa de depósito, que é a que o Banco Central paga aos bancos comerciais para que eles depositem o dinheiro que não é usado, sofreu um recuo de 0% a -10%.

Essa taxa negativa significa que os bancos comerciais serão cobrados caso optem pelos depósitos no BCE, que espera com a medida que esses fundos se transformem em empréstimos para empresas e para consumidores.

Taxas não podem ser mais baixas

Draghi admitiu que as taxas de juros não podem ser mais baixas. "Para os efeitos práticos, chegamos no nosso limite mais baixo", afirmou. Mas além dos cortes nas taxas, Draghi anunciou uma série de medidas para incentivar o crédito bancário, em retração nos últimos meses.

"Caso seja necessário, agiremos rapidamente para maior flexibilização da política monetária", prometeu Draghi.

O BCE já injetou grandes volumes de liquidez no sistema bancário no final de 2011 e no início de 2012 por meio das chamadas operações de refinanciamento de longo prazo. Mas neste momento, os bancos não têm feito empréstimos a pequenas e médias empresas, que formam a espinha dorsal da economia da zona do euro.

Por isso, o BCE atualmente tem como alvo encorajar os empréstimos bancários às famílias e às corporações não financeiras. Draghi explicou que o BCE também tem trabalhado com títulos, como faz o norte-americano Federal Reserve, comprando os ativos lastreados dos bancos.

O BCE decidiu que não irá mais "esterilizar" a liquidez injetada pelo seu "Programa de Mercados de Títulos", nos termos do qual a instituição adquiriu títulos de países da zona do euro com problemas financeiros .

Ao todo, a combinação de medidas pode "conferir maior acomodação para a política monetária e apoio para os empréstimos na economia real", afirmou Draghi.

Ação do BCE é 'muito bem vinda'

Os mercados saudaram a decisão do BCE, com as bolsas europeias otimistas com a novidade e o índice alemão DAX batendo recorde de alta, chegando a alcançar os 10.000 pontos pela primeira vez. O euro, que tem sido alvo de preocupação crescente, caiu com a notícia à sua cotação mais baixa nos últimos quatro meses, a 1,3503 dólares.

Em Washington, o Fundo Monetário Internacional afirmou que a "postura bastante pró-ativa" do BCE é "muito bem vinda".

O ministro francês de Economia, Arnaud Montebourg, também recebeu bem "o primeiro passo espetacular em direção a uma política monetária mais orientada ao crescimento", e pediu que os bancos comerciais e a Comissão Europeia cumpram sua parte neste trabalho.

Analistas igualmente aplaudiram, mas alertaram que essa euforia inicial pode evaporar. "No conjunto, o pacote de medidas anunciado hoje é forte, ressaltando a determinação e a vontade de agir do BCE". "Entretanto, como aconteceu na crise do euro, nem sempre o primeiro sinal de entusiasmo durou", lembrou.

"O BCE  não garante que os empréstimos para o setor privado realmente serão feitos. O BCE ainda é dependente dos bancos comerciais. De certa forma, o desejo é o pai do pensamento".


O economista do Markit, Chris Williamson, foi mais otimista. "Vai levar algum tempo para avaliarmos a eficácia destas medidas no longo prazo", disse. "A eficácia das taxas de depósito negativas é incerta e (as novas medidas de liquidez) podem ter impacto limitado sobre os empréstimos."

"Provavelmente a confiança do empresário e do consumidor resultante das ações econômicas é que vão ajudar a economia a se recuperar", acredita Williamson.

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