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Setor automotivo » Recomposição do IPI será gradual e seletiva

Agência O Globo

Publicação: 05/06/2014 10:45 Atualização:

A recomposição do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), prevista para o mês de julho, será gradual e seletiva. A alíquota sobre carros populares, que está em 3% atualmente, não subirá para 7% no próximo mês, conforme estava programado. O governo deve calibrar os percentuais de aumento do imposto, de modo que os preços dos automóveis subam menos, variando de acordo com a categoria, para estimular vendas. Carros com motores entre 1.0 e 2.0 flex (bicombustível), além dos automóveis movidos apenas a gasolina, e veículos utilitários, que também estão com as alíquotas reduzidas, devem ser beneficiados pela recomposição gradual do imposto.

Segundo fontes, ainda não há uma decisão final sobre o nível do aumento do IPI dos carros, e ela só será anunciada no fim do mês. Mas a equipe econômica está convicta de que não há ambiente para a volta do imposto cheio diante da crise nas montadoras.

O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu ontem (4) que o governo poderá estender a mão ao setor automotivo e não recompor totalmente as alíquotas do IPI sobre veículos, a partir de julho. Ele afirmou que o governo está conversando com as montadoras para avaliar a forma como será feita a recomposição.

“Está previsto um aumento do IPI a partir de julho. Não sei ainda se vamos praticá-lo. Vamos avaliar a situação para ver se podemos prosseguir com a elevação a partir de julho. Existe a possibilidade de aumentar o IPI. Vamos conversar. Terá aumento. Poderá ser pequeno ou não”, disse Mantega.

O ministro evitou falar de outros benefícios que o governo vinha estudando para ajudar as montadoras, que se queixam de problemas na concessão de crédito para a compra de veículos no país:

“O que a gente estava vendo era facilitar o crédito porque no mercado automobilístico caiu. Em função disso, a gente estava estudando melhorar o crédito. Mas não é certo. O setor tem que andar com as próprias pernas.”

Nos bastidores, entretanto, as férias coletivas no setor automotivo preocupam o governo. A recomposição gradual do IPI tem como objetivo evitar demissões e estimular as vendas. Em outra frente, o Banco Central (BC) deverá aprovar a liberação direcionada de compulsórios (recursos que os bancos são obrigados a depositar na instituição) para um fundo que vai comprar carteiras de veículos dos bancos das montadoras. Também deverá ser aprovada a redução da exigência de capital por parte das instituições financeiras, à medida que o cliente for pagando as prestações.

O governo trabalhava também com a ideia de criar um fundo garantidor de crédito para cobrir a inadimplência e incentivar os bancos a reabrirem as linhas de crédito, em condições mais facilitadas (entrada menor e maior prazo de pagamento). Mas, como as instituições teriam que aportar recursos nesse fundo e, assim, abrir mão de parte do lucro, a proposta não avançou.

Em janeiro deste ano, a equipe econômica manteve o cronograma de aumento do IPI de veículos que já estava previsto desde o ano passado. A medida desagradou às montadoras, mas foi adotada porque o governo precisava de recursos para garantir o superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública). As alíquotas instituídas em janeiro vão vigorar até o final de junho.

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