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Incentivo » IOF cai para facilitar financiamento de carro

Correio Braziliense

Publicação: 05/06/2014 08:48 Atualização:

O governo decidiu ontem (4) recorrer ao capital estrangeiro especulativo para tentar resolver, de uma só vez, dois de seus problemas. Primeiro, incentivar os financiamentos de carros, pois a escassez de crédito está minando o setor automotivo. Segundo, conter uma nova alta do dólar e, assim, manter a inflação dentro da meta. Para isso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reduziu de 6% para zero o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incidente nos empréstimos de mais de 180 dias realizados por bancos e empresas no exterior.

A pressão das montadoras para que o governo se rendesse ao capital de curto prazo foi grande. Como os grandes bancos estão se recusando a financiar automóveis, depois de terem perdido milhões com a inadimplência, a demanda caiu, a produção desabou e os estoques de veículos nos pátios das concessionárias dispararam (até abril, chegavam a 40 dias ou 392,7 mil unidades, apesar das promoções). As montadoras acreditam que, com o IOF zerado, as instituições financeiras de pequeno e médio portes poderão captar recursos mais baratos no exterior e usar o dinheiro para dar crédito aos que desejam comprar carros.

Esses banquinhos — entre eles, o Votorantim e o Panamericano — foram obrigados a reduzir drasticamente os financiamentos de carros, porque ficaram incapacitados de tomarem empréstimos no exterior quando a Fazenda elevou o IOF para capital de curto prazo com o intuito de evitar uma valorização mais forte do real ante o dólar. “Mais uma vez, o governo está recuando e tentando corrigir distorções que criou na economia e que estão custando caro”, admitiu um técnico do Banco Central. “Mas não acreditamos em uma entrada expressiva de recursos no país com tal medida”, frisou.

Imposto

Apesar de todos os sinais, o ministro nega que a medida tenha como objetivo ampliar o crédito para compra de veículos, garante que o setor “pode se virar sozinho”, nesse caso. No entanto, sobre o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos, previsto para julho, Mantega garantiu que não há nada definido. “O que está acertado é que terá um aumento, mas não sabemos se ele vai ser pequeno ou não. Vamos analisar as condições do mercado na véspera que essa medida será tomada”, avisou. Semana passada, representantes do setor automotivo afirmaram que a redução do IPI já não é mais atrativa para o consumidor. Segundo fontes da Fazenda, o governo engavetou medidas de estímulo ao setor consideradas pelos bancos como de pouca eficácia a curto prazo, como a criação de um fundo garantidor e a redução do prazo de retomada dos veículos em caso de inadimplência. O ministro evitou comentar sobre as negociações do acordo automotivo do Brasil com Argentina, para onde as exportações — a maior parte de veículos — encolheram 25%, em maio.

Interferência

Na avaliação de Simão Silber,  professor do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo, a medida busca aumentar a oferta de dólares no país, que tem caído e feito a moeda norte-americana ter novas altas. Ontem, a divisa subiu 0,24%, fechando a R$ 2,284. “Essa redução do IOF pode favorecer o governo, que está preocupado com o câmbio. Entrando mais dólares no país, o Banco Central ficará menos pressionado para aumentar a oferta no mercado à vista porque 90% da captação externa está sendo feita por bancos privados e por empresas”, explicou.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, destacou que Mantega está tentando evitar nova saída de dólares porque os títulos do governo dos Estados Unidos elevaram suas taxas de retorno. “Os juros dos treasuries de 10 anos estavam a 2,45%, na semana passada, e agora estão rodando a 2,60%. E é por isso que o dólar voltou a subir. O governo está tentando se antecipar e evitar que ocorra o mesmo movimento de maio do ano passado, quando os emergentes enfraqueceram com a anúncio da mudança da política de estímulos dos EUA”, explicou. Naquela época, o Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) injetava mensalmente US$ 85 bilhões no mercado e, desde o início deste ano, vem reduzindo essa liquidez e hoje está em US$ 65 bilhões.

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