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Direitos trabalhistas » Trabalhadores e polícia entram em choque durante protesto em Suape

Augusto Freitas

Publicação: 04/06/2014 14:46 Atualização: 04/06/2014 15:24

O Complexo Portuário de Suape sofreu um novo bloqueio em seus acessos realizado por trabalhadores que reivindicam direitos trabalhistas. Na manhã desta quarta-feira (4), cerca de 850 funcionários da empresa de montagem industrial Fidens, que presta serviços à Petrobras, fecharam todas as vias de acesso ao porto reivindicando salários atrasados e rescisões trabalhistas. As entradas só foram liberadas após a intervenção do Batalhão de Choque da Polícia Militar, que deteve 15 pessoas envolvidas nas manifestaçõe

O fechamento dos acessos começou às 5h, quando as três principais entradas do complexo (PE-60, PE-09 e Avenida Portuária) foram bloqueados com ônibus e caminhões atravessados na rodovia. Em pouco tempo, o resultado foi o mesmo já visto em outras manifestações semelhantes no complexo portuário: um engarrafamento gigantesco que atingiu as imediações da BR-101, a principal artéria viária do Litoral Sul, e prejuízos à economia do estado.

A estratégia de bloqueio, aliás, se tornou comum entre os trabalhadores das obras do local, como a Rnest, a Petroquímica Suape e o Estaleiro Atlântico Sul (EAS). Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada em Pernambuco (Sintepav-PE), impedir o acesso ao porto é a maneira mais eficiente de chamar atenção do problema na tentativa de resolver as pendências trabalhistas, cada vez mais crescentes em Suape. “Só funciona assim, fechando tudo”, disse um representante do sindicato, que não quis se identificar.

Nas primeiras três horas do protesto não houve incidentes e a manifestação ocorria de forma pacífica. Depois, o comando da Polícia Militar exigiu que os manifestantes liberassem o acesso às entradas do porto. Como a negativa do grupo de operários, a PM solicitou a presença do Batalhão de Choque para desobstruir os acessos. Não houve confronto entre os manifestantes e a polícia, mas o Batalhão de Choque usou bombas de efeito moral e gás lacrimogênio para dispersar os trabalhadores. Quinze pessoas, todas ligadas ao Sintepav-PE foram detidas e encaminhadas à Delegacia de Ipojuca.  

O impasse trabalhista, de acordo com o que representa a categoria, começou em 15 de março, último dia de expediente dos funcionários nas obras de construção da Refinaria Abreu e Lima (Rnest). Segundo o órgão, todos os operários tiveram seus contratos rescindidos no dia 22 de abril, mas até o momento nenhum centavo de rescisões trabalhistas foi pago. A classe alega, ainda, que a Fidens deve dois meses de salários atrasados.  

“Nada ficou decidido na reunião de ontem realizada na Vara do Trabalho de Ipojuca. Os funcionários não receberam aviso prévio nem os demais direitos trabalhistas, como rescisões e salários, com dois meses de atraso. Além disso, a empresa deu baixa na carteira de trabalho sem realizar exames demissionais, pois também deve às clínicas conveniadas. Os trabalhadores tem passado necessidades e estão sem pagar aluguel nos alojamentos”, explicou Leodelson Bastos, coordenador de fiscalização do Sintepav-PE. De acordo com cálculos da Justiça do Trabalho, a Fidens deve R$ 38 milhões de reais em verbas rescisórias.

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