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Tabagismo e negócios » Regras confusas sobre Lei Antifumo prejudicam bares, que já amargam perdas

Correio Braziliense

Publicação: 03/06/2014 08:45 Atualização:

Depois de a Lei nº11.705/08, popularmente conhecida como Lei Seca, reduzir as vendas de bebidas alcoólicas, o setor de bares e restaurantes tem uma nova preocupação: o Decreto nº 8.262, que regulamenta a Lei Antifumo, de 2011, publicada ontem (2) no Diário Oficial da União. Segundo cálculos da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), ao menos 1 milhão de estabelecimentos podem ser impactados pela legislação em todo o país.

O presidente da Abrasel no Distrito Federal, Jaime Recena, e membro do Conselho Nacional da entidade, ressalta que pesquisa do setor mostra que o cliente fumante consome 27% a mais em bares e restaurantes do que os não fumantes. “A proibição acaba reduzindo o tempo de permanência desse cliente no bar, e isso vai causar uma redução de consumo”, pondera.

Além do temor com a perda financeira, outra questão preocupa Recena: a punição do dono do estabelecimento quando clientes fumarem nos bares e restaurantes. “Da forma que está a lei, traz uma distorção, porque penaliza o empresário, e não a pessoa que comete o ato. Os proprietários não têm poder de polícia para proibir eventuais infrações”, diz. Por isso, o presidente da Abrasel-DF afirma que a associação pretende abrir diálogos com o governo para que o decreto seja revisto.

Entre os vários comerciantes que terão que se adequar às normas, o sócio-proprietário de um restaurante na Asa Norte, em Brasília, Ammar Abunabut, faz as contas do quanto perderá se não puder oferecer o serviço de narguilé aos clientes. O fumo é responsável por, pelo menos, 20% do lucro. Com menos de um mês em funcionamento, ele gastou mais de R$ 8,4 mil apenas com a compra dos cachimbos e essências. “O jeito vai ser investir em novos pratos e focar apenas no serviço de alimentação. Mas e se o cliente quiser fumar? A lei ainda é confusa”, lamenta.

Para a indústria, a perda pode ser ainda maior. Em 2013, o setor, que emprega 2,2 milhões de pessoas, direta e indiretamente, atingiu receita de R$ 18 bilhões, segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Sem levar em conta o ganho que o governo terá com a prevenção de doenças causadas pelo uso do tabaco, o presidente da Afubra, Benício Albano Werner, considera que a medida desfavorece até mesmo o governo. “No ano passado, o Estado arrecadou R$ 10,7 bilhões só com IPI, ICMS, PIS/Cofins do setor.”

A Souza Cruz, uma das maiores companhias do setor, considera as restrições “desproporcionais e irrazoáveis às empresas legalmente estabelecidas” são medidas que somente contribuem para o aumento do mercado ilegal de cigarros.

Adaptação

Na opinião do presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Adelmir Santana, o comerciante sofrerá em um primeiro momento, mas a pessoa não vai deixar de frequentar um restaurante ou bar. “Quem vende o produto sentirá um pouco no bolso, mas tudo será uma questão de adaptação. Todas essas medidas são procedentes de pesquisa. O governo arrecada muito dinheiro com cigarro, mas gasta muito com doenças advindas do cigarro. O decreto não vai impedir que ninguém fume, mas vai proteger a população do fumo passivo. Os comerciantes terão tempo para se adaptar às normas”, avalia.

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