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Realidade diferente » Esplanada dos Ministérios e das contradições

Correio Braziliense

Publicação: 02/06/2014 09:05 Atualização:

“Não tira foto, não, senão vem o rapa e pega todas as nossas mercadorias”, implorou o camelô quando a reportagem do Correio se aproximou. Esse é o cenário na área da Esplanada dos Ministérios, onde as decisões políticas do país são tomadas. Contradições e irregularidades estão ali para quem quiser ver. A presença de trabalhadores ambulantes é comum em frente ao Ministério do Trabalho e Emprego, órgão que deve zelar pela criação de vagas e pelo respeito à legislação trabalhista. A cena se repete nas cercanias das pastas da Agricultura e do Planejamento.

No Ministério da Saúde, calçadas esburacadas dificultam a caminhada e, sobretudo, a locomoção de pessoas com deficiência física, como cadeirantes. Em frente ao Ministério das Cidades, onde a mobilidade urbana e o transporte público são preocupações centrais da pasta, centenas de carros costumam ficar estacionados sobre as calçadas. Os pedestres que se virem para passar.

Colhidos ao acaso na sede do poder, os exemplos ilustram o que acontece rotineiramente em todo o país — a contradição entre o discurso bem articulado dos governantes e a realidade. Na área do trabalho, por exemplo, apesar da redução do índice de desemprego e do aumento do emprego com carteira assinada nos últimos anos, o Brasil ainda tem grandes desafios a enfrentar. O país ainda possui 17,1 milhões de pessoas vivendo na informalidade. Além de não terem assegurados direitos como férias, aposentadoria e demais benefícios, os informais deixam de arrecadar aproximadamente R$ 50 bilhões por ano para a Previdência Social e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), segundo dados do próprio Ministério do Trabalho.

Os números também são alarmantes no setor rural: dos 4 milhões de trabalhadores no campo, 60% — cerca de 2,4 milhões — atuam na informalidade e com salários menores que os formais, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Abandono

Para a ambulante Luciana Duque, “Brasília está abandonada”. “Diante de tanto imposto que a gente paga, é um absurdo! Não temos calçadas, ônibus, nada.” A coordenadora do curso de Turismo da Universidade Católica de Brasília (UCB), Camila Aparecida, diz que o “ governo tem que pensar não apenas no atrativo turístico, mas na infraestrutura que o circunda, que permite ao turista o acesso”.

A Copa do Mundo foi uma esperança. Seria a mola propulsora para melhorar o transporte público urbano nas cidades sedes. No entanto, pouco foi feito. Segundo o site da ONG Contas Abertas, a previsão inicial de gastos era de R$ 12 bilhões. Algumas obras foram retiradas e outras incluídas, porém, o próprio governo admite, só estarão totalmente prontas as que ficam no caminho dos estádios. Muitas não serão finalizadas até o Mundial.

O Ministério das Cidades, responsável pelo programa de mobilidade urbana, explicou que a baixa execução se deve ao fato de os investimentos compreenderem projetos de engenharia, de responsabilidade dos estados e municípios, que ainda estão em elaboração. De acordo com a pasta, os recursos para os empreendimentos já foram empenhados e são acessados na medida da execução das obras pelos estados e municípios. Apesar disso, apenas R$ 191,1 milhões foram reservados no orçamento até o momento.

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